O dólar comercial fechou em alta de 0,64% no mercado à vista, cotado a R$ 5,6310 para venda, em mais uma sessão de volatilidade, exibindo a cautela dos investidores locais em meio à espera de sinais quanto às tratativas de um novo pacote de estímulo fiscal nos Estados Unidos, atento ao cenário fiscal local. Na semana, a moeda caiu 0,25%.
O diretor superintendente de câmbio da Correparti, Jefferson Rugik, ressalta que a moeda, volátil, chegou a operar em queda na abertura dos negócios, mas avançou a R$ 5,63 na primeira parte refletindo o “desconforto” do mercado doméstico com a disparada da prévia da inflação de outubro, com o Indice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) subindo 0,94%, na maior alta para o mês desde 1995. O mercado projetava alta de 0,82%.
“Ajudou na manutenção do viés de alta do dólar, na segunda parte dos negócios, o sentimento de cautela nos mercados ao redor do globo, em função do impasse nas negociações do novo pacote fiscal norte-americano”, comenta.
As tratativas em torno do pacote de estímulo fiscal seguirão no radar do mercado na próxima semana, às vésperas das eleições presidenciais nos Estados Unidos, e em semana de agenda de indicadores forte. O destaque fica para as decisões de política monetária do Banco Central (BC) brasileiro, na quarta-feira, e do Banco Central Europeu (BCE), na quinta.
O mercado é unânime na aposta de que o Comitê de Política Monetária (Copom) deverá manter a taxa básica de juros (Selic) em 2,00% pela segunda vez consecutiva, segundo levantamento prévio do Termômetro CMA. Para a analista da Toro Investimentos, Paloma Brum, a autoridade monetária deverá manter a taxa no atual patamar até o começo do ano que vem, quando poderá rever o ciclo em meio à inflação acelerada.
“Deve seguir em 2% por um tempo. Mas acredito que poderá voltar a subir no ano que vem com a inflação pressionada e a taxa de câmbio acomodada acima de R$ 5,00”, avalia. A equipe econômica do Bradesco destaca que, mais importante do que a decisão, será o comunicado do Copom, no qual deverá trazer uma avaliação mais recente da atividade econômica, da inflação e sobre o ambiente fiscal.
No exterior, o destaque fica para os dados de atividade da China, da Europa e dos Estados Unidos, além das prévias do Produto Interno Bruto (PIB) norte-americano e da zona do euro no terceiro trimestre. “Os resultados do PIB devem apontar forte crescimento em relação ao segundo trimestre. Enquanto a decisão de política monetária do BCE deve manter os estímulos existentes”, acrescentam os analistas do Bradesco.
Por Agência Safras