O dólar comercial fechou em alta de 0,31% no mercado à vista, cotado a R$ 5,3370 para venda, em sessão de forte volatilidade em meio ao feriado de ação de graças nos Estados Unidos, o que refletiu em poucos negócios e liquidez reduzida. A moeda, que operou com sinais positivo e negativo, ainda se beneficiou com a entrada de mais fluxo de recursos estrangeiros.
O diretor superintendente de câmbio da Correparti, Jefferson Rugik, destaca o movimento volátil na sessão com a moeda chegando às máximas acima de R$ 5,35 logo após a abertura dos negócios, porém, passou a cair ao longo de boa parte do pregão reagindo “aos ingressos de fluxo cambial”, em dia de baixa liquidez e de poucos negócios.
“O fluxo fez com que a moeda registrasse a mínima do dia na faixa dos R$ 5,29. Porém, perto do encerramento, o dólar voltou a recuperar valor, com sinal positivo, acompanhando o movimento externo”, comenta.
O economista da Guide Investimentos, Alejandro Ortiz, reforça que a volatilidade observada ao longo da sessão, principalmente na primeira parte dos negócios, refletiu o receio do mercado doméstico com o risco fiscal diante os ruídos entre o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto. “Foi mais a narrativa em torno do cenário fiscal com a pequena troca de farpas entre o Guedes e Campos Neto, que trocaram ‘mini insultos’, avalia.
Em um evento recente, o presidente do BC reiterou a avaliação de que o mercado está desconfiado do compromisso do governo com o ajuste fiscal, e que é preciso recuperar a credibilidade nesta área com um plano claro. Em entrevista na última quarta, o ministro da Economia rebateu Campos Neto dizendo que o plano existe, é conhecido, e que se colega tem uma ideia melhor, que a apresente.
Nesta sexta, 27, com a agenda de indicadores esvaziada e com o mercado financeiro norte-americano operando em horário reduzido, Ortiz acredita que a moeda deve operar estável ou com tendência de alta. “Acho difícil o dólar cair abaixo de R$ 5,30 sem sinalização em relação ao cenário fiscal. Vejo um viés de reajuste para cima”, pondera.
Por Agência Safras