Dólar sobe e fecha em alta com impasse sobre pacote de estímulos aos EUA

O dólar comercial fechou em alta de 0,81% no mercado à vista, cotado a R$ 5,1730 para venda, em sessão de forte volatilidade e amplitude, acompanhando a piora no exterior em meio aos ruídos sobre as tratativas de aprovação de um novo pacote de estímulo nos Estados Unidos, com o impasse entre democratas e republicanos.

O diretor da Correparti, Ricardo Gomes, destaca o movimento global de “fuga de risco” justificado pelas incertezas que têm “permeado” os mercados, principalmente, vindo da falta de entendimento entre republicanos e democratas na busca de consenso em torno da aprovação de um novo pacote fiscal de estímulos à economia dos Estados Unidos.

“Além de acusações mútuas dessas lideranças, o que levou a minar a confiança dos investidores que, instintivamente, se refugiaram nos ativos de segurança”, avalia. Com isso, o real foi a moeda de país emergente com o pior desempenho na sessão, chegando a subir 1,3%, a R$ 5,20.

A estrategista de câmbio do banco Ourinvest, Cristiane Quartaroli, ressalta que o comportamento do real também se deu pelos ganhos recentes da moeda local, em meio ao forte fluxo de entrada de recursos estrangeiros na bolsa brasileira.

“O real, apesar de ter se beneficiado mais do que as outras moedas nas últimas semanas, é sempre ‘o patinho feio’ e tem pioras mais intensas. Mas isso vem do cenário local”, diz. Quartaroli destaca que a política interna e o cenário fiscal seguem como pano de fundo em relação à cautela dos investidores.

“O Congresso está meio paralisado, sem expectativa de andamento de reformas neste ano, com pautas travadas em meio ao nas eleições do Congresso. A LDO [Lei de Diretrizes Orçamentárias] já deveria ter sido aprovada e ainda não foi. Além disso, tem a discussão em torno do teto de gastos, uma grande preocupação do mercado”, explica.

Nesta quinta, 10, com a agenda de indicadores esvaziada, Quartaroli acredita que o mercado deverá reagir ao comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), que será divulgado a partir das 18h30 com a decisão sobre a taxa de juros. A aposta do mercado é de que a taxa Selic permaneça, pela terceira vez, em 2%.

“Vai depender muito de como o BC vai se posicionar no comunicado, já que se espera uma sinalização do que será feito de política monetária para segurar a inflação. E o mercado tem se mostrado mais preocupado com isso do que o próprio Banco Central”, avalia a estrategista do Ourinvest.

Ela aposta que, após o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subir 0,89% em novembro – na maior alta para o mês desde 2015 -, a inflação de dezembro deve ficar mais pressionada, principalmente, com o reajuste de energia elétrica após a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) reativar o sistema de acionamento das bandeiras tarifárias, interrompido durante a pandemia de covid-19. Desde o dia 1, está em vigor a bandeira vermelha.

Por Agência Safras