Mercado adota cautela e dólar fecha em leve queda

O dólar comercial fechou em leve alta de 0,07% no mercado à vista, cotado a R$ 5,0840 para venda, em sessão volátil e de cautela local, em meio à ruídos políticos, e no exterior ao passo que o mercado aguarda avanços nas negociações entre republicanos e democratas quanto a um novo pacote de estímulo fiscal norte-americano. Na semana, a moeda estrangeira subiu 0,73% e interrompeu a sequência de quatro recuos semanais seguidos.

O analista de câmbio da Correparti, Ricardo Gomes Filho, ressalta que o acirramento das tensões entre Estados Unidos e China, após o governo norte-americano acrescentar mais 60 instituições do país asiático à uma lista de restrições de exportações. “Além dos questionamentos em torno da aprovação do pacote de estímulos nos Estados Unidos, o que deram um contorno negativo à sessão”, comenta.

O analista pondera que, localmente, a valorização do dólar não foi “mais contundente” por reagir ao leilão de venda de dólares com compromisso de recompra, conhecido como leilão de linha, no qual foi tomado todo o montante de US$ 2,0 bilhões, além de mais ingressos de capital estrangeiro no país.

O economista da Guide Investimentos, Alejandro Ortiz, reforça que a pressão na moeda, observada no início do pregão, veio dos ruídos políticos após o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, convocar uma sessão e incluir na pauta a Medida Provisória que trata da extensão do pagamento do auxílio emergencial em resposta à declaração do presidente Jair Bolsonaro, ontem durante uma transmissão online, de que o 13o salário do programa Bolsa Família não seria pago “por culpa” do parlamentar. “Depois que o Maia retirou a discussão da pauta, o dólar arrefeceu”, diz.

Na próxima semana, encurtada com o feriado de Natal, o destaque na agenda de indicadores fica para a prévia da inflação doméstica (IPCA-15) no qual, para a equipe econômica do Bradesco, deve seguir pressionada pela mudança na bandeira tarifária de energia elétrica e pela antecipação dos reajustes dos preços ligados à educação.

Enquanto lá fora, os dados de novembro de renda e gastos dos Estados Unidos devem confirmar desaceleração provocada pela segunda onda de covid-19 no país, ressaltam os analistas. Ortiz, da Guide, acrescenta que o risco fiscal, pressionado pelo auxílio emergencial, tende a continuar fazendo “um pouco de preço” no mercado local.

“Está uma incógnita o que vai acontecer. O mais provável é que o pagamento [do auxílio emergencial] não seja estendido. Mas os ruídos políticos seguem nas duas últimas semanas do ano. Além disso, deverá haver impacto da contínua entrada de fluxo estrangeiro no país, embora com menor força, e do apoio do BC com essas operações para retirar a pressão da moeda”, avalia o economista.

Por Agência Safras