O dólar comercial fechou em alta de 0,31% no mercado à vista, cotado a R$ 5,4160 para venda, engatando a terceira alta seguida em mais uma sessão de forte volatilidade, em reação às notícias da política local que elevam as incertezas com o cenário fiscal, aos dados do mercado de trabalho dos Estados Unidos e com incertezas vindas de lá em meio à uma possível divisão entre os Democratas sobre estímulos para a economia norte-americana.
A moeda sustentou queda na primeira parte dos negócios, acentuando as perdas após a divulgação dos dados do mercado de trabalho norte-americano, com um “payroll frustrante”, diz o analista de câmbio da Corrreparti, Ricardo Gomes Filho, ao mostrar o fechamento de 140 mil vagas de trabalho no país, em dezembro, ante a expectativa de criação de 93 mil vagas, refletindo os efeitos da segunda onda da Covid-19 no país.
Já a segunda parte dos negócios foi marcada por intensa volatilidade invertendo o sinal para alta em meio à percepção de que a aprovação de um novo pacote de estímulo fiscal em um Congresso com maioria democrata “pode não ser tão fácil quanto se previa”, diz o analista.
Na semana, a moeda teve forte alta de 4,37% em meio à valorização do dólar no mundo diante do tumulto no Congresso dos Estados Unidos após a invasão de manifestantes pró-governo de Donald Trump invadirem o Capitólio, prédio onde ficam a Câmara dos Deputados e o Senado, além das incertezas políticas domésticas, principalmente, com o risco fiscal se ampliando, destaca a equipe econômica da corretora Mirae Asset.
Na semana que vem, o mercado deverá ficar atento aos dados de preços ao consumidor nos Estados Unidos, na China e aqui, com apostas de que a inflação doméstica deve seguir pressionada por energia e educação. Sobre o IPCA, a equipe econômica do Bradesco comenta que o dado de dezembro deve refletir a alteração da bandeira tarifária de energia e a antecipação dos reajustes de educação.
Também fica no radar dos investidores, o desdobramento da segunda onda da Covid-19 e o avanço da imunização contra a doença. “A pandemia tem mostrado piora relevante nos últimos dias ao redor do mundo. O mercado continua a ignorar este fato. Ele até pode manter o foco na normalização esperada para este ano com as vacinas, mas este é um risco que precisa ser monitorado no curto-prazo”, avalia o sócio-diretor da TAG Investimentos, Dan Kawa.
Para o economista da Nova Futura Investimentos, Matheus Jaconeli, a tendência é de novas altas para o dólar, mesmo que “fracas” e de muita volatilidade. “Baseado no nosso cenário fiscal, da necessidade de manter os estímulos aqui, ou seja, a volta do auxílio emergencial, além das incertezas em torno da definição de um calendário de imunização no Brasil”, reforça.
Por Agência Safras