O dólar comercial fechou em queda de 0,20% no mercado à vista, cotado a R$ 5,3110 para venda, em sessão de forte volatilidade com o dólar ensaiando correção após a forte queda ontem no mercado doméstico e global, porém, calibrando a alta recente da moeda ante o real, que levou aos níveis de R$ 5,50.
O diretor superintendente de câmbio da Correparti, Jefferson Rugik, destaca “o retorno” da volatilidade e da amplitude da moeda estrangeira operando sem direção única em boa parte do pregão. “Abriu em alta, na faixa dos R$5,35, acompanhando o exterior em dia de aversão ao risco, em função da crise política norte-americana e com o aumento persistente de casos da Covid-19 pelo mundo”, comenta.
Ainda na primeira parte dos negócios, o dólar inverteu sinal e renovou mínimas abaixo de R$ 5,30 reagindo a um fluxo positivo em meio às captações externas feitas por empresas. À tarde, porém, com a divulgação das projeções econômicas nos Estados Unidos, o Livro Bege, sem “muitas novidades” e com a rejeição do líder da maioria no Senado, o republicano Mitch McConnell, quanto a possibilidade de convocar uma sessão de emergência da casa para votar o processo de impeachment do presidente norte-americano, Donald Trump, a moeda teve movimento lateral.
Analistas chamam a atenção para a forte volatilidade do dólar neste início de ano, que chegou a subir mais de 6% na semana passada. “A indefinição em relação ao orçamento de 2021 e o cumprimento do teto de gastos adiciona incerteza ao atual cenário, o que vem mantendo o câmbio mais volátil”, avalia a equipe econômica do banco Inter.
Economistas da XP Investimentos reforçam que as notícias a respeito do estreitamento do orçamento para investimentos ajudam no temor quanto ao cenário fiscal. “Tema que deve crescer em fevereiro e aumentar a pressão por discussões das regras fiscais depois da eleição para a presidência das Casas [Câmara dos Deputados e Senado]”, destacam.
Na abertura dos negócios amanhã, investidores devem avaliar os números da balança comercial da China em dezembro, a serem divulgados hoje à noite, e ficarem atentos ao discurso do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Jerome Powell, em uma videoconferência.
Para o diretor da corretora Mirae Asset, Pablo Spyer, o processo de impeachment contra Trump poderá perder força com o mercado atento aos estímulos fiscais do país, além de atenção ao avanço da Covid-19 no mundo e o noticiário em torno da vacina.
Por Agência Safras