O dólar comercial fechou em forte queda de 1,95% no mercado à vista, cotado a R$ 5,2070 para venda, no menor valor do ano e engatando o terceiro recuo seguido, em sessão de enfraquecimento da moeda ante a expectativa de anúncio de um pacote trilionário nos Estados Unidos, além de reagir à declaração do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Jerome Powell, de que a taxa de juros seguirá inalterada por lá. Aqui, o mercado precifica a possibilidade de a taxa Selic subir antes do previsto.
O gerente da mesa de câmbio da Correparti, Guilherme Esquelbek, reforça que o movimento de baixa, que prevaleceu por toda a sessão, acompanhou o exterior em meio à possibilidade do presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, anunciar um pacote fiscal de US$ 2,0 trilhões ainda nesta quinta.
“À tarde, continuou caindo com fluxo de investidores estrangeiro e com a queda da moeda lá fora após as declarações do presidente Powell. Ele disse que o momento de aumentar os juros nos Estados Unidos não está ‘nem um pouco’ próximo”, comenta.
No início da semana, analistas especularam que a taxa de juros norte-americana poderia subir antes do previsto ante o comportamento de alta das taxas dos títulos de dívidas do país, as treasuries. Em relação ao pacote de estímulos, hoje, saíram os números de pedidos de seguro-desemprego, que aumentaram para 965 mil na semana encerrada em 9 de janeiro.
Os Estados Unidos têm sentido os efeitos da segunda onda do novo coronavírus no mercado de trabalho. Na semana passada, após a divulgação dos números de dezembro do relatório de empregos norte-americano (payroll) vistos como “frustrantes” pelo mercado, Joe Biden comentou que novos estímulos deveriam ser “imediatamente aprovados” e prometeu “trilhões de dólares” para a economia do país. “A situação vem piorando com a segunda onda e novo lockdown”, diz a equipe econômica do banco Fator.
Apesar de uma percepção de que parte dos países emergentes, incluindo o Brasil, inicie ainda este ano o ciclo de alta da taxa de juros, o que corrobora para a queda do dólar ante essas divisas e deixa o mercado local atento à decisão de política monetária na próxima semana, os analistas do Fator ressaltam que o ambiente doméstico segue dado pela eleição da presidência da Câmara dos Deputados e do Senado, em fevereiro.
“O risco de uma Câmara presidida por um bolsonarista deixa o mercado nervoso. Afinal, os delicados temas fiscais em jogo precisam de condução mais profissional para desenlace razoável, aos olhos do mercado”, avalia.
Nesta sexta, 14, na agenda de indicadores, o destaque fica para os números de atividade em dezembro, nos Estados Unidos, que devem trazer os efeitos da segunda onda do novo coronavírus no país.
Por Agência Safras