Dólar fecha em alta de 0,55%, cotado a R$ 5,43

O dólar comercial fechou em alta de 0,55% no mercado à vista, cotado a R$ 5,4360 para venda, descolado do exterior, em sessão de forte volatilidade digerindo resultado prévio do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos, atento ao local, em meio à releitura do tom do Banco Central (BC) na última ata do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada na terça-feira.

O diretor superintendente de câmbio da Correparti, Jefferson Rugik, destaca o movimento volátil da moeda que abriu a sessão em alta, acompanhando o movimento de aversão ao risco que prevalecia no exterior. No fim da manhã, porém, o dólar perdeu força no exterior e aqui, a divisa norte-americana renovando mínimas sucessivas abaixo de R$ 5,40 reagindo ao resultado da leitura preliminar do PIB norte-americano no quarto trimestre.

“[O resultado do PIB] veio praticamente em linha com o esperado e provocou uma melhora no apetite por risco, o que acabou favorecendo as bolsas globais”, diz Rugik. A atividade econômica dos Estados Unidos cresceu 4% no quarto trimestre na comparação com o mesmo período de 2019, abaixo da previsão dos analistas, de +4,3%, e também do resultado do trimestre anterior (quando avançou 33,4% em base anual).

Após forte volatilidade, na reta final da sessão, a moeda voltou a acelerar os ganhos em meio à precificação da curva de juros com a releitura em relação ao tom duro (“hawkish”) do Comitê de Política Monetária do Banco Central sobre uma alta iminente da Selic. Isso após declarações de um dos diretores do BC, em evento fechado à imprensa, de que não houve na reunião da semana passada a discussão de um aperto monetário.

A economista-chefe da Veedha Investimentos, Camila Abdelmalack, explica que o fato de o Copom ter retirado o “forward guidance” (orientação futura), instrumento usado pela autoridade monetária, do comunicado levou o mercado a apostar na alta da taxa de juros. “Mas eu não vejo que essa alta da Selic será imediata. Eu aposto em ajuste monetário na reunião de junho”, diz. Antes, o Copom terá encontros de política monetária em março e em maio.

Na agenda de indicadores nesta sexta, 29, o destaque fica para os dados sobre renda e gastos pessoais de dezembro, nos Estados Unidos. Para Abdelmalack, após o resultado prévio do PIB, os números de lá “são importantes” para balizar a expectativa quanto à aprovação do pacote de estímulo fiscal de US$ 1,9 trilhão apresentado pelo novo presidente, Joe Biden.

“Estamos na safra de balanços [corporativos] nos Estados Unidos e essa expectativa do que será feito do pacote fiscal, se será aprovado ou não, é importante e esses números podem ajudar a direcionar o mercado. Aqui, estamos
às vésperas das eleições no Congresso [na próxima semana]. O dólar pode ficar lateral até semana que vem, à espera desses fatos. Amanhã, é um dia típico de proteção”, reforça.

Por Agência Safras