O dólar comercial fechou em forte queda de 1,72% no mercado à vista, cotado a R$ 5,3540 para venda – no menor valor em uma semana – acompanhando o apetite global por risco e reagindo à vitória do governo federal no Congresso após os candidatos às presidências da Câmara dos Deputados e do Senado apoiados por Jair Bolsonaro vencerem o pleito, o que deve resultar em retomada da discussão da agenda de reformas.
O gerente da mesa de câmbio da Correparti, Guilherme Esquelbek, destaca que o otimismo sustentado ao longo da sessão no exterior veio de investidores “esperançosos” com a aprovação de um novo pacote fiscal nos Estados Unidos.
Enquanto aqui, o mercado reagiu às vitórias de Arthur Lira (PP-AL) para o comando da Câmara dos Deputados e de Rodrigo Pacheco (DEM-MG) para o Senado. “O que pode abrir caminho para as reformas e para as privatizações no Congresso”, comenta.
A equipe econômica do banco Fator avalia que Bolsonaro fez os presidentes das duas casas, com o que não há chance de o impeachment contra ele prosperar. “Por outro lado, Lira falou em previsibilidade pelo menos três vezes, afirmando que as decisões serão da maioria. Previsibilidade também é bom para o mercado. Como vimos insistindo, alguma medida emergencial na área fiscal será adotada, ainda que sob a forma de transitória, mas fora do teto [de gastos]. Reduz o estrago da rigidez fiscal e tenta mostrar uma trajetória”, ressalta.
Nesta quarta, 2 com a agenda de indicadores carregada de dados de atividade, o analista da Toro Investimentos, Lucas Carvalho, comenta que, caso algum número venha “fora do esperado”, pode gerar volatilidade nos ativos.
Serão divulgados os índices dos gerentes de compras (PMIs, na sigla em inglês) de serviços da China (hoje), da zona do euro e dos Estados Unidos, além dos números do mercado de trabalho no setor privado (ADP). Depois da forte queda de hoje, o analista diz que uma correção na moeda não seria surpresa.
Por Agência Safras