Incerteza sobre auxílio emergencial gera volatilidade no mercado e dólar sobe

O dólar comercial fechou em alta de 0,26% no mercado à vista, cotado a R$ 5,3860 para venda, em mais uma
sessão de intensa volatilidade com investidores locais calibrando o desempenho positivo das moedas de países emergentes e as incertezas em torno do risco fiscal enquanto se discute a retomada ou não do pagamento do auxílio
emergencial.

O diretor da Correparti, Ricardo Gomes, reforça a forte volatilidade ao longo da sessão, no qual o pano de fundo foi a “recorrente incerteza” em relação à “dramática” situação fiscal do país.

“Mesmo a despeito dos raros momentos de otimismo, [as incertezas] afugentam os investidores. À tarde, entretanto, a moeda firmou valorização, já no processo de alinhamento por proteção. É certo que qualquer novo pacote de
auxílio emergencial precisa ter necessariamente uma contrapartida fiscal, o que significa que um novo imposto está a caminho e a passos largos”, avalia.

A equipe econômica do banco Fator reforça que o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, “fez o dia” ao enfatizar a relevância do tema fiscal e da necessidade de contrapartida caso o pagamento do auxílio
emergencial seja retomado. Já o presidente Jair Bolsonaro declarou que a volta do benefício pode ser “a partir de março” com pagamento por “três, quatro meses”.

O analista da Toro Investimentos, Lucas Carvalho, acrescenta que “divergências” nas falas de parlamentares e de membros da equipe econômica do governo federal ajudam a sustentar a volatilidade da moeda. Ele reforça que
o assunto deverá ser o mote do mercado nas próximas semanas.

Nesta sexta, 12, porém, ele aposta em um pregão “morno” em meio à menor liquidez sem operações na China e com a cautela local na véspera do feriado prolongado de carnaval na bolsa brasileira (B3), mesmo sem as festividades em
razão da pandemia do novo coronavírus.

O destaque na agenda de indicadores fica para o IBC-Br – prévia do Produto Interno Bruto (PIB) – de dezembro. “Se vier fora do esperado, pode dar uma mexida na abertura dos negócios, já que ele traz uma leitura prévia do
crescimento econômico”, diz o analista da Toro.

Por Agência Safras