Dólar sobe 1,19% após governo anunciar isenção de impostos

O dólar comercial fechou em alta de 1,19% no mercado à vista, cotado a R$ 5,6670 para venda, no maior valor de
fechamento desde 3 de novembro do ano passado, em sessão de forte oscilação com a moeda estrangeira chegando a operar a R$ 5,73 reagindo à medida do governo de Jair Bolsonaro em isentar o óleo diesel e o gás de cozinha (GLP) de impostos federais.

O governo também editou uma medida provisória que eleva a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) aplicada às instituições financeiras, no qual o maior aumento recaiu sobre os bancos.

“Bolsonaro mandou trocar o Pis/Cofins sobre combustíveis por mais alíquota na CSLL dos bancos para atender caminhoneiros e donas de casa. Ele expande a sua área de atuação depois de intervir em um dos símbolos da
disputa ‘liberais versus intervencionistas'”, comenta o economista-chefe do banco Fator, José Francisco Gonçalves.

O economista do banco ressalta que o real foi “o campeão de perdas” entre as moedas de países emergentes na sessão e nem as duas intervenções do Banco Central (BC) por meio dos leilões de venda de dólares no mercado à
vista contiveram a disparada de mais de 2% no movimento intraday, renovando máximas a R$ 5,7350. Com as operações, o BC colocou no mercado US$ 2,095 bilhões.

Segundo o diretor da Correparti, Ricardo Gomes, o pessimismo dos investidores em relação à PEC Emergencial corroborou para o estresse local. “Lembremos que, caso a proposta não contemple as contrapartidas defendidas
pelo ministro da Economia [Paulo Guedes] como essenciais à preservação do teto de gastos, Bolsonaro terá que procurar outro ‘Posto Ipiranga’, já que estaria se afastando da proposta de uma agenda liberal. Essa possibilidade está no radar do mercado e é claramente demonstrada nos preços dos ativos”, avalia.

Para a economista-chefe da Veedha Investimentos, Camila Abdelmalack, o cenário doméstico não corrobora para uma previsão de alívio na taxa de câmbio, que já vem mostrando deterioração nas últimas semanas com a alta
dos rendimentos das taxas de juros futuros dos títulos de dívida do governo norte-americanos, as treasuries.

“Isso vem provocando uma fuga do investidor estrangeiro. Agora, com as últimas da política, só corrobora”, diz acrescentando que os fundos têm desfeito as posições vendidas nos contratos futuros de dólar, enquanto
investidores estrangeiros estão aumentando a posição comprada. “E no meio disso, os bancos estão menos comprados, mas pendendo a ficarem mais vendidos nos últimos dias. Mesmo que o BC suba a [taxa] Selic daqui duas semanas, o dólar não vai cair”, reforça.

Nesta quarta, 2, com a agenda de indicadores carregada, Abdelmalack destaca que os números de fevereiro de atividade e de emprego dos Estados Unidos estão no “centro das atenções” com o mercado global atento à inflação e à recuperação econômica do país. “Se os dados de emprego da ADP vierem mais fortes, vai pressionar ainda mais as treasuries e, consequentemente, a taxa de câmbio”, ressalta.

Por Agência Safras