Dólar interrompe sequência de quedas e fecha em alta de 0,36%

O dólar comercial fechou em alta de 0,36% no mercado à vista, cotado a R$ 5,5600 para venda no mercado à vista, em sessão de poucas oscilações acompanhando o exterior onde a moeda operou pressionada ante as divisas pares e de países emergentes em meio à alta dos rendimentos das taxas de juros futuros dos títulos do governo norte-americano, as treasuries, com o vencimento de 10 anos (T-Note) operando a 1,63%, na máxima do mês. A alta ante a moeda local, porém, foi contida por mais uma operação do Banco Central (BC) no mercado futuro.

O diretor superintendente de câmbio da Correparti, Jefferson Rugik, destaca que a nova alta das treasuries, principalmente dos vencimentos de longo prazo como a T-Note, voltou a dar impulso ao dólar em escala global. “E nem mesmo a intervenção extraordinária do BC, que vendeu US$ 750,0 milhões em swap cambial tradicional [equivalente à venda de dólares no mercado futuro] conseguiu segurar o ímpeto da moeda”, comenta.

O analista da Toro Investimentos, Lucas Carvalho, pondera que a moeda norte-americana não avançou mais no mercado doméstico, ficando um “pouco mais comportado” na sessão, justamente por causa das atuações do Banco
Central. Hoje, a autoridade monetária atuou pelo terceiro dia seguido no mercado cambial.

Na semana, marcada pela volta do nome do ex-presidente Lula ao cenário eleitoral após a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, em anular as condenações envolvendo o petista na Operação Lava Jato, o que o torna elegível para cargos públicos, o dólar fechou em queda de 2,15%, interrompendo três semanas de alta.

“Foi uma semana de muito estresse com o Lula, mas um alívio maior com uma desidratação menor da PEC Emergencial. A volatilidade, que se faz presente desde o fim de fevereiro, seguiu nesta semana, agora com o fator Lula, já que algumas pesquisas eleitorais têm colocado um possível segundo turno em 2022 entre o ex-presidente e Jair Bolsonaro. Além disso, tivemos a votação da PEC Emergencial, o que abre possibilidade para o andamento da agenda de reformas”, avalia Carvalho.

Na semana que vem, a agenda de indicadores tem como destaque as decisões de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) e do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC, no qual a expectativa é de um início de aperto monetário da Selic, com previsão de subir de 2 % para 2,50%, após quase seis anos sem elevação da taxa básica de juros. As decisões pesarão nos mercados, destaca o analista da Toro.

“Os preços mais altos das commodities e um dólar mais forte levará o BC a aumentar a taxa de juros na semana que vem, após sete meses mantendo-as em baixas recordes”, comenta o estrategista-chefe do Banco Mizuho, Luciano
Rostagno, acrescentando que os efeitos negativos da Covid-19 e a política sugerem um panorama econômico mais desafiador para o país e para os ativos brasileiros. “Com isso, vemos um escopo limitado para o real recuperar terreno em relação ao dólar”, reforça Rostagno.

Por fim, os analistas da Tendências Consultoria reiteram que o esperado ajuste monetário, que terá prosseguimento nos próximos meses, tenta reduzir o estímulo extraordinário fornecido em 2020 no auge dos impactos econômicos da pandemia, como o auxílio emergencial, em um contexto atual de inflação bem superior à própria Selic.

Por Agência Safras