O dólar comercial fechou em alta de 0,60% no mercado à vista, cotado a R$ 5,5180 para venda, interrompendo uma
sequência de quatro quedas seguidas, reagindo à forte desvalorização da lira turca após a crise no banco central do país, o que contaminou as moedas de países emergentes. No fim de semana, o presidente da Turquia, Recep Erdogan, demitiu o chefe da autoridade monetária turca.
“Essa demissão pesou e colocou uma luz um pouco mais pessimista sobre os mercados emergentes”, comenta o economista da Guide Investimentos, Alejandro Ortiz. A analista da Terra Investimentos, Heloïse Sanchez, acrescenta que a divisa turca chegou a cair mais de 15% em reação à intervenção de Erdogan. Na semana passada, o BC da Turquia elevou a taxa básica de juros em dois pontos percentuais, de 17% para 19% ao ano, o que culminou na demissão de Naci Agbal.
O diretor da Correparti, Ricardo Gomes, diz que além do “evento Turquia’, a crise no sistema de saúde no Brasil, em meio ao avanço das infecções e mortes por covid-19 no país, também preocupa os mercados e adiciona uma
cautela local. Hoje, o Brasil é o segundo país com mais casos de contaminações e óbitos, atrás apenas dos Estados Unidos.
Nesta terça, 23, com a agenda de indicadores mais esvaziada, o destaque fica para mais um dia de discurso do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Jerome Powell, no Comitê de Serviços Financeiros da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos. Enquanto aqui, o Banco Central (BC) divulgará
a ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) na semana passada.
“O mercado está atento em quão duro [‘hawkish’] vai ser o comunicado do BC em relação à alta recente dos preços. Se a autoridade monetária reiterar o tom meio “hawkish”, meio “dovish” [suave] como na semana passada, o
alívio na taxa de câmbio não será tão forte. Caso contrário, vai ser”, finaliza o economista da Guide.
Por Agência Safras