Dólar sobe 1,23% nesta sexta com apreensão sobre cenário fiscal

O dólar comercial fechou em alta de 1,23% no mercado à vista, cotado a R$ 5,7400 para venda, engatando a terceira
alta seguida em sessão de forte volatilidade, refletindo um forte movimento de proteção no mercado doméstico à véspera do fim de semana, em dia de baixa liquidez. Investidores locais seguem desconfortáveis com o Orçamento de 2021 aprovado nesta quinta, 26, no qual sinaliza uma iminente piora no cenário fiscal.

A extensão de medidas de isolamento social em São Paulo, até a terceira semana de abril, em meio ao elevado número de mortes e infecções por Covid-19 também contribuíram para a alta.

O diretor superintendente de câmbio da Correparti, Jefferson Rugik, reforça que houve ao longo da sessão um movimento de busca por proteção em meio aos novos ruídos fiscais e ao crescimento descontrolado da pandemia do Covid-19 no Brasil. Além de acompanhar a alta dos rendimentos das taxas futuras de juros dos títulos do governo norte-americano, as treasuries, com o vencimento de 10 anos (T-Note) em alta de 1,67%.

“À tarde, a moeda acelerou os ganhos, a R$ 5,75, com os investidores aumentando as posições defensivas antes do fim de semana”, acrescenta. Com isso, a moeda operou no maior patamar intraday (R$ 5,7570) desde o dia 10. O
chefe da mesa de câmbio da Terra Investimentos, Vanei Nagem, comenta que “ruídos” de que o Orçamento para este ano, aprovado ontem, “maquia alguns números”, o que levaria ao furo do teto de gastos, também ajudou nessa
pressão do câmbio nesta sexta.

Na semana, marcada por uma intensa volatilidade aqui e no exterior, principalmente nos mercados de países emergentes, a moeda fechou com valorização de 4,65%, na maior alta percentual semanal desde junho do ano
passado. “O avanço da Covid-19 no país, com números recordes de mortes, pesou muito junto com a questão fiscal”, comenta o economista da Nova Futura Investimentos, Matheus Jaconeli.

Na próxima semana, marcada pelo feriado antecipado na capital paulista e pelo feriado nacional e em boa parte do mundo no fim da semana, Nagem diz que deverá ser mais uma semana volátil, com perda de liquidez, mesmo com o
funcionamento normal da bolsa brasileira (B3).

Jaconeli acrescenta que o sentimento de cautela deve permanecer. “Com as mesmas questões que pesaram nesta semana. Os assuntos continuam no radar”, diz. Na agenda de indicadores, destaque para os dados de atividade da China, Europa e dos Estados Unidos, além dos números do mercado de trabalho norte-americano em março.

Por Agência Safras