O dólar comercial fechou em alta de 1,45% no mercado à vista, cotado a R$ 5,7110 para venda, em sessão de forte
amplitude no primeiro pregão de abril, descolado do exterior, em movimento de correção após a forte queda ontem e cautela antes do feriado prolongado aqui e em boa parte do mundo. Na semana, a moeda recuou 0,51%.
O diretor da Correparti, Ricardo Gomes, reforça o movimento de proteção que prevaleceu ao longo da sessão diante do quadro das incertezas que permeiam o mercado doméstico, como a “crise sanitária, incertezas relacionadas ao
quadro fiscal, além da instabilidade institucional”.
Ele acrescenta que a divulgação do relatório de empregos dos Estados Unidos de março, o payroll, que será divulgado amanhã, corroborou para “uma certa dose de cautela” nos negócios. Apesar da cautela da véspera, o
consultor da Amplla Assessoria em Câmbio, Alessandro Faganello, diz que, caso os números venham “fora da curva”, pode influenciar na taxa de câmbio na abertura dos negócios, na segunda-feira. Segundo o Termômetro CMA, deve haver a abertura de 635 mil vagas, enquanto a taxa de desemprego deve cair de 6,2% para 6%.
Para o economista da Suno Research, Gustavo Sung, o resultado de fevereiro da produção industrial brasileira ajudou no sentimento de proteção ao cair 0,7% na comparação com janeiro, ante expectativa de alta de 0,35%, conforme levantamento da Agência CMA. “O resultado veio aquém do esperado em reflexo do custo das matérias-primas influenciando a indústria com desabastecimento, queda no número de empregados, um custo alto”, diz.
Sung pondera que o imbróglio em torno do Orçamento de 2021 também segue no radar do mercado e tem contribuído para sustentar o patamar da moeda ao redor dos R$ 5,70. “A gente vê o câmbio desvalorizado, uma forte liquidez no mundo e alta das commodities. A janela está diminuindo para as reformas, elevando as incertezas, o risco fiscal e risco-país. Além das interferências políticas”, avalia.
A proposta orçamentária foi aprovada na semana passada e ainda não foi sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro. A equipe econômica da Capital Economics avalia que o presidente pode precisar vetar o Orçamento para “evitar
uma violação das regras fiscais do país” e até uma paralisação dos serviços do governo.
Na próxima semana, o destaque na agenda de indicadores fica para os dados de inflação no Brasil, no mês passado, além de dados de atividade na China, Europa e nos Estados Unidos. Sai também a ata da última reunião do Federal
Reserve (Fed, o banco central norte-americano), no qual para a equipe econômica do Bradesco, o documento deverá reforçar a postura mais cautelosa da autoridade monetária, em um contexto de inflação ainda baixa, apesar da
aceleração da economia esperada para os próximos meses em meio ao avanço da vacinação e o elevado grau de estímulos fiscais e monetários no país.
Por Agência Safras