Dólar recua e fecha na maior queda em dois meses

O dólar comercial fechou em queda de 0,90% no mercado à vista, cotado a R$ 5,4490 para venda, no menor valor de
encerramento desde 24 de fevereiro, acompanhando o exterior mais positivo e o ambiente doméstico mais otimista com a possibilidade de volta das discussões da agenda de reformas, após o Orçamento de 2021 ser sancionado.

O chefe da mesa de câmbio da Terra Investimentos, Vanei Nagem, reforça que o cenário externo “está bem melhor”, o que tem favorecido o desempenho da maioria das moedas de países emergentes. “Lá fora, o ambiente está bem
melhor, enquanto aqui, o ambiente deu uma refrescada após o Orçamento de 2021 ser sancionado”, comenta.

Ele acrescenta que as sinalizações dadas pelo presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, de que as discussões em torno da agenda de reformas voltarão e que uma versão inicial do teto da reforma tributária deverá ser
divulgada em 3 de maio, corroborou para o bom humor local.

“É um sinal de que o Centrão [partidos do Centro] está com vontade de aprovar alguma coisa. Com isso, fica o sentimento de que as coisas podem melhorar no ambiente doméstico”, destaca.

Nesta terça, 26, na agenda de indicadores, os destaques são o início da reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), no qual a decisão sairá na quarta-feira e a prévia da inflação do país
(IPCA-15), no qual deve subir 0,68% neste mês e desacelerar-se em relação ao resultado no mês passado, segundo o Termômetro CMA.

Para Nagem, mesmo que o resultado do IPCA-15 fique acima do esperado, isso não deverá mudar a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) que já contratou uma alta de 0,75 ponto percentual da taxa Selic na semana que vem. “Não há motivos para surpresa por parte do Banco Central. O negócio é subir juros gradativamente”, avalia, acrescentando que esta “tem tudo” para ser uma “semana nervosa” por aqui por ser fim de mês.

Por Agência Safras