A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de ontem em elevar a Selic (taxa básica de juros) em 0,75 ponto percentual (pp), para 3,50% ao ano, teve impacto direto no preço do dólar comercial na sessão de hoje, recuando 1,60%, sendo negociado a R$ 5,2780 para venda.
Na avaliação dos agentes de mercado consultados pela Agência CMA, a decisão tende a achatar a curva de juros e a aliviar a pressão sobre o real. Eles ressalvam, entretanto, que o ritmo do avanço da moeda brasileira tende a ser mais moderado em relação aos ganhos recentes antes o dólar.
Vanei Nagem, responsável pela mesa de câmbio da Terra Investimentos, observou que o fato de o Copom já ter contratado uma nova alta de 75 pontos-base na reunião de junho alia-se ao exterior positivo às moedas emergentes para fortalecer ainda mais o real ante o dólar.
Para os analistas do banco Barclays, o aperto monetário promovido pelo BC deve continuar dando suporte ao real. “A moeda valorizou-se com o alívio proporcionado pela solução do impasse em torno do Orçamento de 2021”, avalia
o Barclays.
Com isso, o real encontra-se no momento mais próximo do seu preço justo, prossegue o banco inglês, o que deve levar a ganhos mais moderados do que os observados ao longo do último mês.
Para a equipe da Correparti Corretora de Câmbio, o dólar comercial operou majoritariamente em queda nesta sessão de quinta-feira e teve como principais indutores a fragilidade da moeda americana no mundo, principalmente frente as divisas emergentes e ligadas às commodities.
“Internamente houve um movimento de desmonte de posições defensivas por parte dos participantes deste mercado em função da decisão de ontem a noite da alta da Selic e pela comunicação por parte do BC de um novo aperto
monetário da mesma magnitude na próxima reunião, o que ajuda a colocar o Brasil de volta no radar dos investidores estrangeiros”, afirmou comentário assinado por Jefferson Rugik, da Correparti.
Por Agência Safras