Dólar sobe 1,18% com receio de maior inflação global

O dólar comercial fechou em alta de 1,18% no mercado à vista, cotado a R$ 5,3150 para venda, interrompendo a sequência de três quedas seguidas, com investidores digerindo a ata da reunião de política monetária do Federal  Reserve (Fed, o banco central norte-americano), realizada no fim de abril. O receio do mercado com a alta da inflação global sustentou os ganhos da moeda norte-americana ante os pares e divisas de países emergentes por toda a sessão.

O economista-chefe da Necton Corretora, André Perfeito, avalia que a ata do Fed não teve “grandes novidades” e  destaca “uma espécie” de tolerância da autoridade monetária com uma inflação cheia – que considera a alta de energia – e que o banco central dos Estados Unidos insiste na tese da inflação transitória.

“Tem se tornando um mantra entre bancos centrais classificar a inflação corrente como transitória, uma vez que é  derivada de uma alta relevante [do preço] de commodities e que esta, pode estacionar em dado momento retirando perigos inflacionários do radar”, comenta.

Perfeito acrescenta que a “maior preocupação” tem a ver com a perspectiva que, se de fato a economia dos Estados  Unidos deve crescer forte, é “natural” esperar que haja uma migração de recursos das treasuries – rendimento das taxas futuras dos títulos do governo norte-americano – para outros ativos, refletindo em alta das taxas.

“Seja como for, está implícito que o Fed não quer ser o primeiro a gritar ‘fogo’. Eles sabem que isso seria desastroso em diversos níveis. O mercado já reagiu com a alta da taxa de 10 anos e os mercados se regulam a esta nova taxa de referência em patamar ligeiramente mais alto”, ressalta o economista, referindo-se ao vencimento de 10 anos (T-Note) que disparou após a divulgação do documento, renovando máximas na sessão acima de 1,69%.

Nesta quinta, 20, com a agenda de indicadores mais fraca, o economista da Nova Futura Investimentos, Matheus Jaconeli, diz que o dólar pode encontrar espaço para uma nova queda. Ele acrescenta que os números dos pedidos de seguro-desemprego até a semana passada nos Estados Unidos devem ficar no radar do mercado. “É sempre bom acompanhar esses dados de perto”, reforça.

Por Agência Safras