O dólar comercial fechou em queda de 0,73% no mercado à vista, cotado a R$ 5,2760 para venda, acompanhando o exterior, onde a moeda perdeu terreno para as divisas pares e de países emergentes em correção após o estresse na véspera, influenciada pela disparada das treasuries reagindo ao tom da ata da última reunião do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano). Aqui, os números da arrecadação federal em abril e a aprovação da privatização da Eletrobras corroboram para a queda do dólar.
O economista da Guide Investimentos, Alejandro Ortiz, ressalta o movimento de correção técnica da moeda no mundo, além do recuo dos rendimentos das taxas futuras dos títulos do governo norte-americano (treasuries), com o vencimento de 10 anos operando a 1,62% na sessão, após se aproximar de 1,70% na quarta, 19.
Ele acrescenta que, no cenário doméstico, a aprovação do texto-base que viabiliza a privatização da Eletrobras ontem, na Câmara dos Deputados, trouxe um pouco de alívio ao câmbio. “Pesou mais em sessões anteriores, mas o fato traz alívio sim, com a leitura de que a agenda econômica do governo de Jair Bolsonaro mostra que não está tão travada quanto pareceu meses atrás”, avalia.
Ainda aqui, o resultado da arrecadação federal no mês passado com “dados fortes”, segundo Ortiz, ajudaram a sustentar a queda da cotação da moeda na sessão. Segundo a Receita Federal, a arrecadação real avançou 45,22% na
comparação com abril de 2020 e chegou a R$ 156,8 bilhões, descontando o efeito da inflação. Na comparação com março, a alta real foi de 13,34% e a nominal de 13,70%.
Nesta sexta, o destaque na agenda de indicadores fica para a prévia de maio do índice dos gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) sobre a atividade industrial e serviços dos Estados Unidos, e também da zona do euro. Ainda na Europa, tem os números preliminares do índice de preços ao consumidor neste mês.
“Os PMIs da indústria e de serviços dos Estados Unidos vão fazer preço porque podem reforçar a narrativa de que a economia norte-americana segue em recuperação”, finaliza o economista.
Por Agência Safras