O dólar comercial fechou em alta de 1,08% no mercado à vista, cotado a R$ 5,1210 para venda, no maior valor de fechamento em dez dias, em sessão volátil seguindo o exterior avesso ao risco e com o desempenho negativo das moedas de países emergentes. Aqui e lá fora, investidores aguardam a “super quarta”, na semana que vem, com as decisões de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) e do Banco Central (BC). Com isso, a moeda interrompeu duas semanas de queda e fechou valorizada em 1,69%.
A economista-chefe do banco Ourinvest, Fernanda Consorte, ressalta que o dólar exibiu alta expressiva refletindo os dados mais fortes da inflação norte- americana, divulgados ontem, e resultou em avanços nos rendimentos das taxas futuras do governo norte-americano, as treasuries, mesmo com o vencimento de 10 anos (T-Note) operando ao redor de 1,45%, menor nível desde março.
“Em consequência, isso pode resultar em uma eventual mudança de política monetária nos Estados Unidos. O que teve foi um ‘flight to quality’ [voo para qualidade], com o fluxo indo para os Estados Unidos e depreciando as moedas [de países] emergentes”, reforça a economista.
Para o diretor da Correparti, Ricardo Gomes, com a inflação norte-americana em alta e às vésperas da reunião de política monetária do Fed, é “natural” um movimento de apreciação da moeda no exterior. “Aqui, a necessidade de recomposição de posições compradas trouxe investidores novamente para o mercado, na certeza de que não há como evitar a valorização da moeda no mercado local”, diz.
Apesar da recente queda da taxa de câmbio, devolvendo os ganhos de 2021, Consorte avalia que o cenário para o Brasil, de forma geral, segue “muito desafiador”. “Não contaria com a bonança das últimas semanas como uma tendência. Acredito que o dólar esteja mais perto dos R$ 5,20 do que abaixo de R$ 5,00 diante dos desafios da conjuntura atual”, pondera.
Aqui e lá fora, investidores aguardam pela “super quarta-feira”, dia em que terá as decisões de política monetária dos bancos centrais norte-americano e brasileiro. “O Fed poderá trazer o debate do início da redução das compras de ativos, frente às surpresas altistas com a inflação e à consolidação da melhora da economia. Ainda assim, deve manter a leitura de que as pressões da inflação são essencialmente temporárias, trazendo as restrições de oferta como elementos a serem observados”, avalia a equipe econômica do Bradesco.
Em relação ao Comitê de Política Monetária (Copom), os analistas do BTG Pactual ressaltam que, em meio à sinalização da autoridade monetária de que deverá subir a taxa Selic pela terceira vez seguida em 0,75 ponto percentual, a atenção do mercado muda para o encontro e para a comunicação de agosto.
“Os dados recentes, mostrando uma atividade econômica mais forte do que o esperado, indicam que a linguagem de ‘normalização parcial’, provavelmente, será abandonada na próxima semana. Com isso, cresceu a probabilidade de outro aumento da mesma magnitude em agosto. Na verdade, a linguagem de ‘normalização parcial’ não é um compromisso como era a mensagem de ‘orientação futura’ [forward guidance'”, avalia a equipe do BTG.
O economista-chefe do banco Alfa, Luís Otávio de Souza Leal, alerta que, caso o Banco Central sinalize um novo ajuste da Selic no encontro de agosto, é “bom ficar de olho” porque pode ser o “catalizador” para o dólar cair abaixo dos R$ 5,00, movimento que vem ensaiando nas últimas semanas. Porém, encontra resistência psicológica no nível de R$ 5,01.
Por Agência Brasil