Dólar é pressionado por inflação no Brasil e fecha quase estável

Prevaleceu na sessão de hoje a pressão inflacionária no Brasil após a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), fazendo com que o dólar comercial passasse a maior parte do pregão em queda, na contramão do movimento externo. No final do dia a moeda norte-americana voltou a ganhar força frente o real, mas não evitou um fechamento perto da estabilidade, com ligeira queda de 0,01%, cotado a R$ 5,2100 para venda.

“Investidores deram mais peso à probabilidade de um aumento mais agudo para Selic já na próxima reunião de política monetária do Copom, após dado do IPCA-15, na prévia de julho, ter ficado não somente acima das expectativas (0,65%), como também perto do teto, levando o mercado a projetar uma inflação na casa de 7% para o ano”, explicou Ricardo Gomes da Silva, da Correparti Corretora de Câmbio.

“Tecnicamente, quanto mais alto estiverem os juros no país, mais atrativo será o retorno sobre os investimentos dos players internacionais, estimulando sobremaneira o ingresso de capitais estrangeiros destinados às rendas fixa e variável. Nesse contexto, nem mesmo as incertezas políticas e sanitárias, protestos dos movimentos sociais marcados para esse final de semana pelo impeachment do presidente Jair Bolsonaro e também a possibilidade da deflagração de uma greve geral por parte dos caminhoneiros a partir da zero hora de domingo, foram capazes de potencializar a cautela no meio dos investidores”, disse o Gomes.

Em relatório, a Commcor havia dito que o dólar tinha tendência de abrir em alta, mas que o IPCA-15 fora do previsto pelo mercado poderia fazer força contrária na moeda norte-americana por aqui.

O IPCA-15 subiu 0,72% em julho na comparação com junho, desacelerando-se em relação à alta apurada no período anterior (+0,83%), segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A taxa foi a maior para o mês desde 2004 (+0,93%). O resultado, entretanto, ficou acima da mediana das expectativas do mercado financeiro, de +0,65%, conforme o Termômetro CMA.

Com isso, o IPCA-15 acumula altas de 4,88% no ano e de 8,59% em 12 meses até julho. O resultado no período de 12 meses também levemente abaixo da mediana das estimativas, de +8,51%, ainda segundo o Termômetro CMA, e mostra uma aceleração em relação aos +8,13% acumulados até junho, mantendo-se bem acima do centro da meta perseguido pelo Banco Central para este ano, de 3,75%, pelo sexto mês consecutivo.

Por Agência Safras