Em dia marcado pela volatilidade, o dólar comercial fechou em R$ 5,2670, com queda de 0,26%. Se em um primeiro momento a divulgação dos dados do varejo nos Estados Unidos foi abaixo do esperado, assim como as incertezas políticas e fiscais no âmbito doméstico, posteriormente a fala do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, apaziguou os ânimos, ao reforçar que a instituição está comprometida em frear a inflação.
Segundo o sócio da Ajax Capital, Rafael Passos, “o momento político é extremamente negativo, com a briga entre Executivo e Judiciário, além da parte fiscal que não ajuda muito. O mercado está muito sensível e a situação não está clara”.
Para Passos, apesar do esforço do Banco Central em segurar a inflação e Campos Neto reiterar o compromisso da instituição em segurar a alta dos preços, a situação é periclitante: “Lá fora ainda existe um alívio, apesar da aversão ao risco, enquanto aqui a situação não deve mudar nas próximas semanas. O dólar só não está mais elevado devido à política de juros do BC”, avalia.
Segundo o analista da Guide Investimentos, Alejandro Ortiz, “não existe um consenso em torno da proposta do novo imposto de renda. Esse risco fiscal tende a neutralizar todos os benefícios trazidos pela política monetária do Banco Central. A taxa de câmbio não muda porque a política fiscal não deixa”.
O embate entre Executivo e Judiciário Além disso, o mercado internacional está em compasso de espera: “O ambiente externo é de risk-off, com aversão ao risco. Isso também se deve aos números ruins do varejo nos EUA e à questão regulatória chinesa, que divulgou uma série de guidelines para evitar a formação de práticas monopolísticas no setor de tecnologia, afetando ações de empresas como Alibaba”, pontua Ortiz.
As vendas no varejo dos Estados Unidos caíram 1,1% em julho ante junho, ante expectativa de redução de 0,2%. “A nova variante da Covid-19 pressiona muito o varejo nos Estados Unidos. Os dados, abaixo do esperado, enfraquecem o dólar no mercado”, disse o economista da Nova Futura Investimentos, Matheus Jaconeli.
No Brasil, o cenário político segue conturbado, em meio à expectativa de que o presidente Jair Bolsonaro peça ao Senado o afastamento dos ministros Luís Barroso e Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), mas Jaconeli enxerga sinais de redução na turbulência. “Algumas sinalizações tanto do Barroso quanto do Bolsonaro dizendo que não veem risco para a estabilidade da democracia tiram um pouco a pressão política, que afeta bastante o câmbio”.
Por Agência Safras