O dólar fechou o dia estável, cotado a R$ 5,1820. As incertezas fiscais e políticas que continuam rondando o espectro doméstico, além da divulgação do payroll (principal índice que mede o desempenho do mercado de trabalho), que acontece amanhã nos Estados Unidos, refletiram diretamente no câmbio.
Para o analista de riscos da Ajax Capital, Rafael Passos, “o dólar está indo na contramão do mercado, em um dia de desvalorização global da moeda norte-americana frente, principalmente, às emergentes”.
Passos é enfático quanto à tensão doméstica: “Ontem o afastamento entre os três poderes ficou claro com o Senado barrando a minirreforma trabalhista. Além disso, o mercado está apreensivo com os ruídos políticos, inflação, precatórios e curvas de juros”, pontua. Na sua visão, caso o mercado trabalhe com a Selic (taxa básica de juros) mais alta, “o dólar tende a se acomodar”.
Segundo o especialista de investimentos da Toro, Helder Wakabayashi, “o ponto principal do câmbio de hoje é a espera pelo payroll. O dólar vai trabalhar contido, não creio em variações”. Ele crê em um dólar “travado”.
Para o economista da Aware Investments, Aldo Filho, “o Jerome Powell (presidente do Federal Reserve – Fed, o banco central norte-americano) não deixou claro quando começa o tapering (remoção de estímulos). Eu acredito que seja em dezembro”. E complementa: “O mercado está menos temerário com a inflação nos Estado Unidos. Creio em um cenário otimista global no último trimestre deste ano”.
Já no cenário doméstico, Filho vê com bons olhos a aprovação do novo imposto de renda: “Acho que seria uma vitória do governo, estou otimista”, pontua. Ele ainda acredita que o dólar comercial deve terminar o ano em um patamar entre R$ 5 e R$ 5,20.
Por Agência Safras