Se o Banco Central (BC) passasse a agir para conter a valorização do dólar, os investidores usariam outro tipo de ativo para se proteger do risco que está embutido na taxa de câmbio e isto acabaria provocando danos colaterais em outros mercados, afirmou o presidente da instituição, Roberto Campos Neto.
“Se eu prendo dólar e faço intervenção muito severa, vão buscar se defender da percepção de risco ampliada em outro ativo, e pode ser na curva de juros”, disse ele durante um evento promovido pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP).
O presidente do BC disse que em geral, quando há um aumento dos preços das commodities, o dólar tende a perder força em relação a moedas de países que exportam estes produtos, como é o caso do Brasil, mas que desta vezes este movimento não aconteceu.
“A explicação é a dívida que se fez durante a pandemia. Tem um novo prêmio de risco”, disse ele, acrescentando que pode haver também outros fatores capazes de explicar a situação atual. Campos Neto destacou, no entanto, que em outros países exportadores de commodities, como a Austrália, também não houve esse movimento de valorização da moeda local acompanhando a alta das commodities.
“Se dólar tem função de absorver choques, por que quando as commodities subiram ele não absorveu o choque? Parte disso é a dívida maior, é um fiscal, parte disso é incerteza – pode ser política ou outra coisa”, afirmou.
“Olhando para frente, acertando tema de credibilidade fiscal, tem tudo para crescer, voltar a entrar recurso. O Brasil fez muito mais do que conseguiu vender”, avaliou.
Por Agência Safras