SANIDADE

Embrapa amplia testes com 210 genótipos de mandioca contra vassoura-de-bruxa em Oiapoque

Trabalho em terras indígenas do Amapá reúne pesquisa, transferência de tecnologia e observações de agricultores para reduzir a dispersão do fungo e recuperar áreas afetadas

Embrapa amplia testes com 210 genótipos de mandioca contra vassoura-de-bruxa em Oiapoque

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) mantém experimentos e ações de transferência de tecnologia em aldeias indígenas de Oiapoque, no extremo norte do Amapá, para enfrentar a vassoura-de-bruxa da mandioca. A doença, causada pelo fungo Rhizoctonia theobromae, foi identificada inicialmente em roças indígenas do município e tem ocorrência restrita ao Amapá e ao Pará, segundo classificação do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

As visitas técnicas envolvem equipes da Embrapa Amapá e da Embrapa Mandioca e Fruticultura em áreas experimentais instaladas nas aldeias Tukay, Kariá e Galibi. O foco é avaliar materiais com possível resistência ou tolerância ao fungo, considerando as condições locais de cultivo. Segundo o pesquisador Saulo Oliveira, da Embrapa Mandioca e Fruticultura, os ensaios reúnem 210 genótipos de mandioca, incluindo variedades coletadas em diferentes regiões do Brasil e também em roças do Amapá.

De acordo com o pesquisador, a análise em campo observa sintomas associados à doença, como roseta, além de indicadores de incidência, ocorrência e severidade. A partir desses dados, a Embrapa busca identificar materiais com melhor desempenho para subsidiar o melhoramento genético e orientar o manejo fitossanitário.

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O analista Jackson dos Santos, agrônomo da Embrapa Amapá, afirma que os agricultores indígenas participam do processo ao indicar variedades que, pela experiência prática, apresentam melhor comportamento nas roças. Essas indicações passam por validação técnica para verificar produtividade e resistência.

As ações são executadas por meio do TED Indígena, Termo de Execução Descentralizada do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA). Parte dos recursos foi destinada à instalação de uma câmara térmica no Centro de Formação dos Povos Indígenas de Oiapoque. A estrutura permite tratar manivas-semente, eliminar patógenos e multiplicar mudas sadias.

Segundo o agente ambiental indígena Gilmar Nunes André, do povo Galibi Marworno, o ciclo de termoterapia pode viabilizar a formação de viveiros nas aldeias, com multiplicação em intervalos de quatro meses e uso das mudas cerca de 120 dias após o início do tratamento. O programa também inclui capacitações para diversificação produtiva, com atividades como dia de campo sobre cultivo de banana na Aldeia do Manga.

Além do controle da praga quarentenária presente, a estratégia combina pesquisa, produção de material propagativo saudável e capacitação local. A expectativa técnica é reduzir a disseminação do fungo e ampliar a recuperação das áreas de mandioca nas terras indígenas de Oiapoque com base em validação científica e participação comunitária.

Fonte: embrapa.br