Ex-ministro da Agricultura é inocentado em caso de grilagem de terras

Em 2014, foram divulgadas notícias de que Geller e seus familiares teriam adquirido lotes destinados à Reforma Agrária em Lucas do Rio Verde (MT)

Fonte: TCE/MT

O ex-ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) Neri Geller foi inocentado pela Polícia Federal da acusação sobre grilagem de terras no Mato Grosso. Em 2014, enquanto ele ocupava a pasta, foram divulgadas notícias sobre seu possível envolvimento e de familiares na aquisição de lotes destinados à reforma agrária no município de Lucas do Rio Verde (MT). O caso foi investigado pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal, na Operação Terra Prometida. As investigações apontaram a participação de 80 fazendeiros e prejuízos aos cofres públicos de estimados R$ 1 bilhão.

Agora, o ex-ministro recebeu a notícia da Comissão de Ética Pública da Presidência da República sobre o arquivamento do caso, na reunião realizada no dia 28 de janeiro. O relator da comissão decidiu, após declaração do delegado da Polícia Federal responsável pela operação. No despacho, o delegado afirma que o ex-ministro nunca foi investigado, embora seu nome tenha sido citado nas investigações – e que não há nos autos elementos de informação que demonstrem a participação de Geller.

Por telefone, direto de Lucas do Rio Verde, onde se dedica às lavouras de soja e milho, Neri Geller conversou com a equipe do Canal Rural. “Me sinto feliz porque se restabeleceu a verdade. A polícia tinha que fazer o trabalho, o Ministério Público também. Mas em uma investigação que estava em curso há 5 anos, eu nunca fui chamado ou investigado. E 40 dias depois que virei ministro veio denuncia anônima. Me decepcionei demais com isso”.

Neri Geller ocupou o ministério da Agricultura entre março e dezembro de 2014, durante o primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff. Mesmo em pouco tempo, comemora conquistas importantes para o agronegócio, como a abertura de mercados em nove países para a carne bovina e o contencioso do algodão. Do mesmo partido que a atual ministra Kátia Abreu, ele prefere não comentar a saída do PMDB do governo e os rumos da Agricultura. “Não quero mexer com política, pelo menos por enquanto”, enfatiza.