Via Campesina invade fábrica da Bunge em Luziânia (GO)

Cerca de 800 mulheres camponesas protestaram contra o agronegócio, o capital estrangeiro e o uso intensivo de agrotóxicos e de transgênicosA Via Campesina ocupou na manhã desta segunda, dia 9, a unidade fabril da multinacional Bunge localizada na BR-040 em Luziânia (GO), no entorno de Brasília (DF). 

Fonte: Antonio Cruz/AAgência

Segundo o movimento, 800 mulheres camponesas ocuparam o local por volta das 6 horas da manhã para protestar contra “o agronegócio, o capital estrangeiro e o uso intensivo de agrotóxicos e de transgênicos”. De acordo com o capitão Artur Henrique Gomes, da Polícia Militar de Goiás, no entanto, o ato contou com a participação de 300 pessoas, no máximo.

Os manifestantes picharam a fachada da unidade com as frases de ordem “Bunge é igual morte”, “Agrotóxico é igual câncer”, “Reforma Agrária já!”. Conforme disse o capitão, essas foram as únicas depredações na fábrica. Os empregados da Bunge foram impedidos de entrar para trabalhar. Segundo Noeli Taborda, da direção do Movimento das Mulheres Camponesas (MMC), a Bunge “representa o capital estrangeiro que é contrário à vida de milhares de mulheres”.

As manifestantes seguem para Brasília, onde& um grupo menor de camponesas participará no Palácio do Planalto da cerimônia de sanção da Lei do Feminicídio, que torna crime hediondo o assassinato de mulheres em decorrência de violência doméstica e por questão de gênero.

Noeli afirmou que o grupo não pretende fazer protesto no Palácio do Planalto, mas continua dialogando para que a presidente cumpra os compromissos assumidos com o movimento em fevereiro de 2013, quando participou de evento realizado pelas camponesas. Elas querem mais crédito, acesso a terra, moradia e educação. O movimento também é contrário às últimas medidas do governo que modificam o acesso a direitos trabalhistas e previdenciários.

A Bunge informou que chamou as autoridades competentes “visando a enfrentar confrontos e proteger os colaboradores da empresa e os próprios manifestantes”. A equipe da Bunge e os policiais orientam as manifestantes quanto aos riscos existentes nas áreas internas da unidade, que produz óleo de soja. “A empresa está adotando as medidas legais cabíveis para a reintegração de posse e volta às atividades rotineiras”, informou a empresa, que disse ainda não ser possível avaliar a extensão dos danos e os impactos econômicos na unidade.