ECONOMIA

Durigan diz que bancos centrais podem rever corte de juros por guerra entre EUA e Irã

Ministro da Fazenda afirmou, em Washington, que o tema ganhou espaço nas reuniões de Primavera do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta sexta-feira (17) que bancos centrais de diferentes países podem ser levados a reavaliar a posição de cortar juros diante dos efeitos da guerra entre Estados Unidos e Irã. A declaração foi dada em entrevista coletiva durante as reuniões de Primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, realizadas ao longo desta semana em Washington, nos Estados Unidos.

Segundo Durigan, o Brasil levou às discussões internacionais a proposta de uma resposta temporária e focalizada para os efeitos do conflito. De acordo com o ministro, o debate nas reuniões considerou que choques geopolíticos podem alterar o ambiente econômico global e exigir nova leitura sobre inflação, atividade e política monetária.

Ao tratar do cenário internacional, Durigan afirmou que o Brasil está em posição relativamente mais favorável do que países da Ásia e da África. Ele não detalhou, porém, quais indicadores embasaram essa comparação nem apontou quais bancos centrais já discutem formalmente mudança de trajetória para os juros.

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O ministro também disse que, além dos efeitos imediatos da guerra, é necessário manter temas estruturais na agenda global. Entre eles, citou o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em inglês). Segundo Durigan, houve sinalizações positivas de países como Espanha e China sobre a relevância do mecanismo.

Outro tema abordado foi a Venezuela. O ministro destacou a importância da retomada das negociações entre o FMI e o Banco Mundial com o país e afirmou que a expectativa é elevada. Na quinta-feira (16), a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, informou que o organismo voltou a negociar com o governo venezuelano. As conversas estavam suspensas desde março de 2019, por questões de reconhecimento governamental.

Nesse contexto, a sinalização de Durigan indica que decisões sobre juros podem voltar a ser influenciadas por riscos externos, sobretudo se o conflito ampliar pressões sobre preços e condições financeiras globais.

A evolução da guerra e seus efeitos sobre inflação, fluxo de capitais e atividade econômica deve seguir no radar de autoridades monetárias e de organismos multilaterais. Até o momento, não foram apresentados, nas declarações do ministro, prazos ou medidas concretas de revisão das trajetórias de juros.

Fonte: ftp.ae.com.br