
O secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, afirmou nesta sexta-feira (17) que o governo de Donald Trump pretende rediscutir o Acordo Estados Unidos-México-Canadá, em inglês United States-Mexico-Canada Agreement (USMCA). Segundo ele, o tratado contém pontos positivos, mas precisa ser “reconsiderado e reimaginado” em favor dos interesses norte-americanos.
Durante conferência do Semafor, Lutnick declarou que Trump vê o atual desenho do acordo como inadequado. Na avaliação do secretário, equiparar México e Canadá a Estados norte-americanos, sem compromissos equivalentes, configura um “mau acordo”. O USMCA será submetido a revisão formal nos próximos meses, etapa prevista no próprio tratado.
Lutnick também elevou o tom contra o Canadá. Ele criticou a condução das negociações com Washington e contestou a estratégia do primeiro-ministro Mark Carney de ampliar laços com a China. Segundo o secretário, a abertura canadense a veículos elétricos chineses, em troca de alívio tarifário para produtos agrícolas, é uma decisão equivocada.
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Na semana passada, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) informou, por meio de Jamieson Greer, que houve avanço nas conversas com o México, mas ainda permanecem pendências com o Canadá. Um representante do ministro canadense responsável pelas negociações, Dominic LeBlanc, não comentou as declarações.
Do ponto de vista prático, a revisão do USMCA amplia a incerteza sobre regras tarifárias e acesso preferencial ao mercado dos Estados Unidos. Hoje, a maior parte das exportações canadenses entra no país sem tarifas. Segundo o próprio conteúdo apresentado por Lutnick, essa indefinição já pesa sobre decisões de investimento e contratação. No comércio agropecuário, mudanças nas condições tarifárias podem alterar competitividade e fluxo de produtos na América do Norte, embora ainda não tenham sido detalhadas medidas específicas para o setor.
O cenário, por enquanto, é de negociação política e comercial. Como o governo norte-americano ainda não divulgou proposta formal de alteração do USMCA, os efeitos concretos sobre tarifas, exportações e cadeias do agronegócio regional dependem do conteúdo da revisão prevista para os próximos meses.
Fonte: ftp.ae.com.br