Dólar fecha a terça em ligeira queda, cotado a R$ 5,51

O dólar comercial fechou com ligeira queda de 0,03% no mercado à vista, cotado a R$ 5,5160 para venda, em
sessão de forte volatilidade com a moeda reduzindo as perdas na reta final dos negócios, chegando a ficar no campo positivo em linha com uma piora no exterior. O que levou as moedas de países emergentes a caírem mais de 1%.
Aqui, a notícia de que o presidente Jair Bolsonaro fará um pronunciamento na TV e no rádio às 20h30 deixou investidores cautelosos, em dia também de ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).

“Apesar de adiantarem que o pronunciamento será sobre vacina, chegou uma certa incógnita no mercado. Nunca se sabe o que pode vir”, diz o chefe da mesa de câmbio da Terra Investimentos, Vanei Nagem, sobre o pronunciamento de Bolsonaro em cadeia nacional, reforçando que a piora no exterior antes do fim da sessão pesou no mercado doméstico em meio à baixa liquidez e volatilidade na sessão.

A economista da Toro Investimentos, Paloma Brum, destaca que o movimento descolado do real em relação às principais moedas emergentes em boa parte da sessão refletiu ainda a crise do banco central da Turquia, após a demissão do presidente, o que resultou em uma forte desvalorização da lira turca e contaminou os mercados emergentes nesta segunda.

“A política monetária contracionista da Turquia elevou o risco de outras moedas emergentes, de manter juros artificiais”, diz, explicando que esse risco monetário não pesa para o Brasil, já que o “Banco Central (BC) é
“respeitado pelos investidores”.

“Principalmente, após o tom mais duro [‘hawkish’] Copom na semana passada, ao subir a taxa Selic em 0,75 ponto percentual (pp), acima do esperado, e com o reforço de hoje na ata da reunião afirmando que deverá subir
novamente a Selic em maio. A recente independência do BC corrobora para esse alívio de que o Brasil está resguardado de uma crise monetária”, pondera.

Brum acrescenta que há um movimento na curva de juros futuros que precifica alta de 1 pp da Selic na próxima reunião, acima do pretendido pelo Copom. “O que dá mais atratividade aos nossos ativos e favorece a taxa de câmbio”, ressalta.

Nagem, da Terra Investimentos, diz que a tendência é de mais volatilidade e liquidez reduzida nos próximos dias com o feriado antecipado em São Paulo na semana que vem e com a paralisação de alguns setores, enquanto no mundo, os mercados estão “inconsistentes” com o endurecimento de medidas restritivas em partes da Estados Unidos e da França, além da Alemanha, o que gera receio para uma possível terceira onda de contaminação por Covid-19 na Europa.

Por Agência Safras