O dólar comercial fechou em queda de 0,34% no mercado à vista, cotado a R$ 5,4230 para venda, em dia misto no exterior em meio à oscilação das moedas de países emergentes com o avanço dos juros dos títulos de dívida do governo dos Estados Unidos, as treasuries, em que o título com vencimento de 10 anos chegou a operar acima de 1,40%. As falas do presidente do banco central norte-americano aliviaram os ativos, enquanto aqui, o mercado segue atento à política local após o adiamento da votação da PEC Emergencial para a semana que vem.
O diretor superintendente de câmbio da Correparti, Jefferson Rugik, reforça que a moeda estrangeira passou parte da sessão fragilizada frente às divisas emergentes diante de sinais de arrefecimento da Covid-19 nos Estados Unidos e na Europa. No meio da sessão, porém, a “puxada” das treasuries levaram o dólar a ganhar valor em relação a essas moedas. “Mas o Powell aliviou o mercado de novo”, diz.
Em audiência na Câmara dos Representantes, Powell voltou ao Congresso e reforçou que o Fed deverá seguir com uma política monetária acomodatícia até que a economia dos Estados Unidos exiba melhora.
“Powell ressaltou que o ciclo de valorização das commodities pode trazer uma alta nos preços, resultando em pressão inflacionária. Mas reiterou que o Fed deve seguir com os mecanismos de estímulos até que a economia norte-americana se recupere, o que deve demorar um pouco”, avalia o economista da Nova Futura Investimentos, Matheus Jaconeli. A preocupação com a inflação
tem levado à valorização das taxas da curva de juros norte-americana, com o título de 10 anos no maior nível em um ano.
Aqui, o mercado lidou com o adiamento da votação da PEC Emergencial no Senado, prevista para esta quinta, 24. A princípio, a pauta será votada na semana que vem. Em meio ao desgaste político com o evento envolvendo a interferência do presidente Jair Bolsonaro ao indicar um novo nome para o comando da Petrobras, o economista da Nova Futura avalia que a situação da política local piora para a força do governo em relação a outras pautas fiscais.
“Isso porque o governo pode assumir uma postura mais populista, além do fato de que [ministro da Economia] Paulo Guedes ainda não se manifestou quanto ao caso de ingerência na Petrobras, jogando dúvidas no mercado quanto à continuação de suas agendas econômicas e como ficará a sua figura no governo. A percepção é de que Guedes pode estar ficando cada vez mais
isolado”, avalia.
Em relação a isso, o economista da Guide Investimentos, Alejandro Ortiz, acrescenta que o cenário político sustenta um dólar pressionado, acima de R$ 5,40, mesmo com o otimismo dos investidores com a possibilidade de privatização da Eletrobras. “É uma sinalização de que o governo não abandonou a agenda liberal após alguns movimentos errados do presidente
Bolsonaro”, diz, referindo-se à troca de comando da Petrobras.
Nesta quinta, com a agenda de indicadores mais esvaziada, os destaques ficam para a segunda leitura do Produto Interno Bruto (PIB) norte-americano no último trimestre de 2020 no qual, para Jaconeli, só fará diferença nos ativos caso fique “muito diferente” do observado na primeira leitura, no qual cresceu 4% na comparação com o quarto trimestre de 2019.
“De todo modo, o mercado deve ficar atento ao exterior, de olho no movimento das treasuries. Enquanto aqui, algum comentário relacionado à Petrobras e a outras estatais ficam no radar, junto a PEC Emergencial após a votação ser adiada para semana que vem”, finaliza.
Por Agência Safras