O consumo industrial de algodão no Brasil, estimado para a próxima safra em 720 mil toneladas, em um momento em que a expectativa dos cotonicultores brasileiros é de retração de área da ordem de 16%, deu o tom de otimismo na última das quatro reuniões anuais da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Algodão e Derivados, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). O encontro aconteceu, virtualmente, na manhã desta quarta-feira (16), com representantes dos diversos elos das cadeias de produção de algodão e da indústria, além do Governo, entidades de pesquisa, dentre outros. A câmara é presidida pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa).
O volume anunciado pelo presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Fernando Pimentel, supera em muito o trabalhado pelos setores, nos últimos meses. Segundo ele, ainda há defasagem de preços, mas o cenário para 2021 é promissor. “O passado, realmente, passou. Agora é hora de olhar o momento atual e para a perspectiva do futuro, porque tivemos entre 90 e 100 dias de paralisação dos negócios. Com essa estimativa de consumo, certamente, vamos recompor postos de trabalho e recuperar as perdas em 2021”, afirmou. A alavanca desta recuperação, segundo a Abit, foi a injeção de recursos na economia, com o auxílio emergencial, implementado por conta da pandemia da Covid-19.
O presidente da Abrapa, Milton Garbugio, que comandou a câmara nos últimos dois anos, celebrou a informação. “Trata-se de uma grande recuperação, diante de tantos problemas enfrentados pela cultura neste ano de 2020. Isso anima os produtores para 2021”, disse. “Em função desse ano atípico, nossas 10 associadas apresentaram uma redução, em média, de 16% na previsão de área plantada e de 17% na produção de algodão. Mas essa perspectiva de aumento do consumo industrial da pluma indica que, em mais uma safra, podemos retornar aos patamares normais de área e produção”, pontuou Garbugio.
Por Agência Safras