Cenário de incerteza na política faz dólar subir 0,52%

Em dia marcado por um quente noticiário interno, o dólar comercial fechou em alta de 0,52%, cotado a R$ 5,1920 para venda. Durante a terça-feira, esse valor chegou a R$ 5,2590. Com o mercado externo em calmaria, o que puxou a moeda norte-americana para cima foram as incertezas nos cenários político e fiscal brasileiros, sendo caracterizado por uma tensão entre o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o possível estouro do teto, ocasionado pelo aumento do programa Bolsa Família.

Para o chefe da mesa de câmbio da Terra Investimentos, Vanei Nagem, “existe uma interrogação muito grande com o Bolsonaro falando em Bolsa Família de R$ 400, além da ameaça de não haver eleições caso não seja adotado o voto impresso. Mesmo sabendo que isso não deve resultar em nada, vai minando o governo”.

Nagem disse que em uma véspera de reunião de Comitê de Política Monetária (COPOM), a situação deveria ser outra: “Com a expectativa de aumento entre 0,75 e 1% na Selic, o dólar era para estar sob controle”. A ausência de mais notícias negativas internas, assim como a calmaria no mercado internacional, também contribuíram nesta desaceleração na escalada do dólar.

Para a economista-chefe da Reag Investimentos, Simone Pasianotto, “os ruídos políticos e fiscais têm contribuído com a alta do dólar, enquanto os juros futuros aumentam. A CPI da Covid, além da ofensiva mais populista de Bolsonaro, incitam este cenário”.

Esta “ofensiva populista”, capitaneada pela expansão do programa Bolsa Família, é vista como algo negativo, porque um programa mais amplo de renda mínima pode prejudicar a trajetória de ajuste fiscal. “O Brasil tem andado, nas últimas três semanas, na contramão do mercado de externo. Isso é gerado pelas incertezas do cenário político nacional”, disse Pasianotto.

Por Agência Safras