Cenário fiscal no Brasil preocupa e dólar fecha em alta de 1,39%

O dólar comercial fechou em alta de 1,39% no mercado à vista, cotado a R$ 5,3880 para venda, influenciado por um movimento local de proteção em meio à falta de sinalização do governo para o cenário fiscal brasileiro ao passo que o fim do ano se aproxima. Declarações do ministro da Economia, Paulo Guedes, sobre a possibilidade de vender reservas cambiais incomodaram parte do mercado. Na semana, a moeda se desvalorizou em 1,57%.

O gerente de mesa de câmbio da Correparti, Guilherme Esquelbek, explica que a alta da moeda veio da “realização de lucros” por parte de investidores estrangeiros na bolsa brasileira (B3), além de um incômodo com as falas de Guedes ontem à noite.

“Também teve um movimento de proteção em função da falta de solução para os problemas fiscais [do país], principalmente, após a fala do Guedes que  não apresentou nenhuma novidade para a solução do problema”, comenta.

Esquelbek acrescenta que as declarações do ministro da Economia ao defender a ideia de vender as reservas cambiais – até ontem o valor era de US$ 355,3 bilhões – para abater a dívida pública levou “boa parte” do mercado doméstico a criticá-lo. “Declaração que traz um certo temor ao mercado, principalmente, em um momento em que se discute a independência do Banco Central”, pondera a economista-chefe da Veedha Investimentos, Camila Abdelmalack.

Na próxima semana, os destaques ficam para o feriado de ação de graças nos Estados Unidos na quinta-feira, além da divulgação da ata da última reunião do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) e para as leituras preliminares dos índices dos gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) da atividade industrial e do setor de serviços da Alemanha, zona do euro e dos Estados Unidos.

Para Abdelmalack, da Veedha Investimentos, apesar de os últimos indicadores divulgados terem ficado secundários, as prévias de novembro ficam no radar do mercado já que devem mostrar os efeitos da adoção de novas medidas de isolamento social para tentar conter o avanço da covid-19 na Europa. A equipe econômica do Bradesco aposta que o PMI do setor de serviços deverá ser “negativamente influenciado” por essas medidas.

Por Agência Safras