Cenário fiscal preocupa e dólar tem novo dia de alta

O dólar comercial fechou em alta de 0,62% no mercado à vista, cotado a R$ 5,6530 para venda, renovando a máxima de fechamento desde 20 de maio – de R$ 5,6840 – em mais uma sessão de volatilidade e amplitude da moeda em meio ao movimento de cautela do mercado doméstico diante o receio com o cenário fiscal do país, enquanto o primeiro pregão de outubro foi mais positivo para as moedas de países emergentes.

O gerente de mesa de câmbio da Correparti, Guilherme Esquelbek, reforça o movimento descolando do exterior diante das “mazelas internas”, em meio ao impasse sobre as fontes de financiamento do programa Renda Cidadã.

“E também com sinais de desgastes do ministro da Economia, Paulo Guedes. À tarde, a moeda continuou com o viés de alta, mas com poucas oscilações, ainda descolada do exterior. Perto do encerramento, o dólar acelerou os ganhos com investidores cautelosos com o nosso ambiente político e fiscal”, avalia.

Os analistas da XP Investimentos reforçam que as preocupações fiscais e políticas que se intensificaram ao longo do mês passado levaram o real a ficar no posto de moeda mais desvalorizada do mundo no ano, acumulando perdas acima de 40%.

“As preocupações sobre a trajetória fiscal voltaram ao foco, uma vez que o aumento substancial de gastos durante a pandemia [do novo coronavírus com os pacotes de estímulos aumentou a dívida bruta do país, que chegará próximo à 100% ao final desse ano. Além disso, as discussões sobre a renovação do programa de auxílio emergencial e como custeá-lo levaram a uma forte correção dos ativos locais”, explicam os analistas.

O diretor da corretora Mirae Asset, Pablo Spyer, endossa que o cenário fiscal tem “incomodado” o dólar no mercado local e deverá fazer preço ao longo do trimestre, o último do ano. Além deste assunto seguir no radar dos investidores, amanhã, o destaque na agenda de indicadores é o relatório do mercado de trabalho nos Estados Unidos, o payroll, com números de setembro.

“Esse payroll é especialmente mais importante porque é o último antes das eleições norte-americanas. Os números serão acompanhados de perto e deverão ser usados pelos candidatos, seja pelo presidente [Donald] Trump, seja pelo Joe Biden. Além de trazer um pouco a leitura de como está a recuperação  econômica lá”, comenta.

Por Agência Safras