Cenário fiscal volta a preocupar e dólar sobe 0,99%

O dólar comercial fechou em alta de 0,99% no mercado à vista, cotado a R$ 5,3630 para venda, em sessão de forte
volatilidade e amplitude com a moeda oscilando na mínima de R$ 5,23 e máxima de R$ 5,40, reagindo às declarações dos candidatos às presidências da Câmara dos Deputados e do Senado, Arthur Lira e Rodrigo Pacheco,
respectivamente, no qual eles se mostraram favoráveis à prorrogação do pagamento do auxílio emergencial. Junto ao exterior mais negativo para parte das moedas de países emergentes, o risco fiscal elevou o temor no cenário local.

O gerente da mesa de câmbio da Correparti, Guilherme Esquelbek, ressalta que a moeda renovou máximas sucessivas, no maior valor intraday desde o dia 12, após as declarações do candidato à presidência da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), apoiado pelo presidente Jair Bolsonaro. “Ele falou sobre a possibilidade da volta do auxílio emergencial, com o dólar chegando a trabalhar na casa dos R$ 5,40”, diz.

Além de Lira, o candidato à presidência do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), também corroborou para o estresse do mercado local ao declarar que será preciso “sacrificar algumas premissas econômicas para poder manter
alguma forma de socorro” às pessoas que são de camadas mais pobres.

“O teto de gastos foi uma medida importante. Ele deve ser observado, mas vivemos estado de necessidade absolutamente excepcional com pessoas morrendo e desempregadas. Então, é preciso que o Estado as socorra”, disse o senador.

Esquelbek lembra que a moeda abriu em queda, indo a R$ 5,23, reagindo ao comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgado nesta quarta. “No comunicado, o Copom retirou o ‘forward guidance’ [orientação futura] e manteve o balanço de riscos para inflação”, diz a equipe econômica da XP Investimentos, acrescentando que o Comitê avaliou que o estímulo monetário “extraordinariamente elevado” segue adequado, mas sinalizou que pode iniciar um ajuste adiante, ao mesmo tempo em que a elevada incerteza sugere cautela ao reduzir o grau de estímulo.

“O real não responde ao Copom. O real precisa de ação, não de fala. E a ação é um aumento de juros junto de uma intervenção de venda pesada para quebrar essa dinâmica pobre. Infelizmente, o real continua sendo o hedge
[proteção] universal e, portanto, sujeito a pressão”, avalia o diretor de tesouraria de um banco estrangeiro.

Nesta sexta, 22 o destaque da agenda de indicadores fica para as prévias dos índices dos gerentes de compras (PMIs, na sigla em inglês) da indústria e de serviços nos Estados Unidos e da Europa, no qual devem trazer uma nova leitura
sobre os efeitos do isolamento social e do avanço da Covid-19 na economia dessas regiões, além de investidores ficarem atentos à política local, com a proximidade da eleição no Congresso, com as declarações dos candidatos às
presidências das casas ganhando peso e direcionando os ativos domésticos.

Por Agência Safras