Refletindo o clima de tensão no mercado, o dólar comercial fechou esta quinta-feira cotado a R$ 5,0790, com queda de 0,60%. Os fatores mais relevantes para isso foram o discurso do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Jerome Powell, e os resultados da economia norte-americana, divulgados pela manhã. No Brasil, analistas estudam um aumento na Selic (taxa básica de juros) e o cenário político.
Nesta quarta, Jerome Powell descartou um aumento dos juros mesmo com a aceleração da inflação prevista para continuar nos próximos meses e sinalizou que a redução da compra de ativos pode estar mais próxima, mas disse que a instituição está longe de alcançar seu duplo mandato de estabilidade de preços e pleno emprego.
Hoje, o governo dos Estados Unidos afirmou que o Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre cresceu 6,5% no segundo trimestre em base anualizada, mas especialistas previam alta de 8,4%. Os pedidos de seguro-desemprego no país, por sua vez, caíram de 24 mil na semana passada, para 400 mil, mas a previsão era queda para 380 mil.
“Vimos um Fed ainda muito complacente, embora admitindo que os resultados da inflação também o surpreenderam. Antes de subir os juros, porém, o Fed precisa cortar outros pacotes monetários”, analisa o head da mesa de operações da Head Investimentos, Álvaro Villa.
Villa também contextualiza a situação política brasileira: “É uma questão que ainda é incerta, mesmo com a confirmação do Ciro Nogueira na Casa Civil”. Segundo o economista, “o provável aumento de 1,25% na Selic, acaba deixando o mercado brasileiro mais interessante, valorizando a nossa moeda. O capital que está entrando, contudo, não quer correr riscos”.
“O movimento do mercado foi exacerbado pelo PIB abaixo do esperado e pedidos de seguro-desemprego acima da expectativa”, analisa o economista-chefe do Banco Alfa, Luís Otávio Leal. Para Luís, o dólar fica enfraquecido pois “tem-se a ideia de que a política monetária norte-americana deve ficar enfraquecida por mais tempo”.
Além disso, a próxima reunião do Copom – que ocorre na primeira semana de agosto – deve elevar a taxa Selic. “A expectativa do mercado é que este aumento seja entre 1 e 1,25%, fortalecendo o real”, defende Luís. Jefferson Rugik, da Correparti, ressaltou em relatório que o dólar irá continuar no modo “loser”, ou perdedor. “No mercado internacional de câmbio, ele opera enfraquecido frente à maioria dos seus pares e outras moedas emergentes como o peso mexicano”, afirmou.
Por Agência Safras