A Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado do Rio Grande do Sul (FecoAgro-RS) realizou nesta quinta-feira, 15, um webinar sobre as culturas de inverno. O encontro virtual teve participação de mais de 100 representantes e abordou oportunidades e desafios para o incremento de oferta na segunda safra gaúcha.
O presidente da FecoAgr0-RS, Paulo Pires, destacou o projeto realizado com a Embrapa Trigo para buscar alternativas para o grão de exportação. “Conseguimos mostrar boas produtividades com um custo menor e houve um incremento das exportações. No ano passado exportamos mais de 900 mil toneladas de trigo”, disse.
O dirigente também falou sobre o projeto liderado pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Farsul e Embrapa. “Entendemos que este projeto é fundamental porque temos uma certa ociosidade no inverno. Para o produtor a ideia é diluir custos fixos e precisamos de uma cultura de inverno para pagar contas”.
O ex-ministro da Agricultura e presidente do Conselho Consultivo da ABPA Francisco Turra afirmou que há uma grande reunião de autoridades com a ideia de ocupar espaços. “Um estudo feito pelo economista da Farsul, Antônio da Luz, mostra que se levarmos adiante esse projeto teremos um Valor Bruto de Produção de mais R$ 8 bilhões ao ano. Outras indústrias também vão ganhar e o PIB do Rio Grande do Sul também cresceria 6%”, disse.
O pesquisador da Embrapa Trigo Jorge Lemainski falou sobre a produção de variedades de cereais de inverno para ração animal, silagem e pasto. O especialista mostrou dados que certificam o potencial produtivo da iniciativa. “Queremos aumentar a área com lucro por hectare e o nosso foco é produzir grãos para ração, grãos para alimentação humana, que são projetos que não competem um com outro, silagem e pasto”, afirmou.
No caso de grãos para ração, Lemainski ponderou que não se pode perder a competitividade na indústria de processamento que agrega valor na transformação em ovos, leite e carne por falta de matéria prima em um Estado que tem tecnologias geradas, expertise de agricultores e estrutura. “O trigo, o triticale e a cevada têm potencial produtivo superior a 6 mil quilos por hectare”, disse.
O coordenador da Rede Técnica Cooperativa (RTC), Geomar Corassa, disse que há uma lacuna de produção que pode ser preenchida em um sistema de produção para todo ano, de forma a trazer renda para o produtor. “Temos clima, condições de água, luz, solo propício, conhecimento das cooperativas pelos seus departamentos técnicos e temos demanda oriunda do mercado”.