O dólar comercial fechou em alta de 0,24% no mercado à vista, cotado a R$ 5,2890 para venda, em sessão de intensa volatilidade provocada pelas declarações do presidente Jair Bolsonaro sobre o programa Renda Brasil, no qual disse estar descartado até o fim de 2022, e gerar desconforto com a equipe econômica do governo federal.
“A ameaça do ‘cartão vermelho’ do presidente Jair Bolsonaro à equipe econômica, no episódio congelamento temporário de aposentadorias e pensões, impôs uma virada no dólar e fez com que a moeda americana saltasse dos níveis de R$ 5,22 [menor valor intraday desde 3 de agosto] para os R$ 5,29”, comenta o diretor superintendente de câmbio da Correparti, Jefferson Rugik.
Em um vídeo publicado em seu perfil no Twitter, o presidente disse que até 2022 está “proibido falar” a palavra Renda Brasil. A leitura do mercado, segundo Rugik, é de que Bolsonaro estaria “fritando” o ministro da Economia, Paulo Guedes.
“Eu já disse há poucas semanas que jamais vou tirar dinheiro dos pobres para dar para os paupérrimos. Quem porventura vier propor para mim uma medida como essa eu só posso dar um cartão vermelho para essa pessoa”, disse Bolsonaro no vídeo.
Após a virada da moeda que chegou a operar com 1% de queda na abertura dos negócios reagindo aos números melhores do que o esperado de vendas no varejo e da produção industrial na China e da atividade industrial de Nova York – em agosto – o dólar exibiu intensa oscilação no início da tarde, operando sem direção única.
“Com o esclarecimento por parte do ministro Paulo Guedes, de que o cartão vermelho não foi para ele, a moeda teve um comportamento praticamente lateral e ficou sambando entre os níveis de R$ 5,27 e R$ 5,28”, acrescenta o profissional da Correparti.
Diante as declarações de Bolsonaro, as reuniões do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) e do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) ficaram em segundo plano ao longo da sessão, mas são destaque na agenda amanhã, na “super quarta”, com a publicação da decisão de política monetária aqui e nos Estados Unidos.
Para a economista-chefe da Veedha Investimentos, Camila Abdelmalack, em relação ao Copom, o mercado fica à espera das sinalizações que podem ser feitas pelo BC no comunicado. “O cenário não mudou tanto do último Copom [na primeira semana de agosto] para esse. Então, não deve trazer grandes movimentações para o mercado amanhã”, diz.
A economista ressalta que o Fed poderá fazer preço na sessão, apesar de que também não deverá trazer novidades quanto à condução da política econômica. Porém, há expectativa para a divulgação das projeções econômicas para o quarto trimestre. “Se tiver alguma correção muito grande em algum dos dados, pode trazer algum movimento para a taxa de câmbio”, avalia.
Por Agência Safras