O crescimento significativo da demanda chinesa por grãos nesta temporada não foi causado apenas por uma escassez temporária. Em entrevista à Platts, o diretor do Conselho de Grãos dos Estados Unidos (USGC, na sigla em inglês), Bryan Lohmar, disse que o movimento sinaliza uma mudança estrutural nos níveis de consumo doméstico do país asiático.
As importações de milho pela China atingiram 7,8 milhões de toneladas entre janeiro e outubro, crescimento de 1.151% ano a ano, segundo dados da aduana chinesa. Os volumes superam, pela primeira vez, a cota livre de tarifa, de 7,2 milhões de toneladas ao ano.
Em novembro, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projetou em 13 milhões de toneladas as compras chinesas de milho em 2020/21, contra 7 milhões um ano antes.
Para o trigo, o país asiático importou 6,69 milhões de toneladas no período, alta de 127% ano a ano. As compras de cevada cresceram 98,3%, para 6 milhões de toneladas.
A demanda interna pelo milho e as importações do grão cresceram devido à estabilização da produção e as menores reservas temporárias de suporte aos preços. O acordo comercial de Fase 1 com os Estados Unidos, provavelmente, gerou alguma preferência pelo milho norte-americano, em particular no início de 2020. Ao mesmo tempo, os preços do milho estadunidense estão competitivos no mercado global.
Por Agência Safras