O dólar fechou em R$ 5,3120, com alta de 0,16%. A moeda norte-americana oscilou durante a sessão, mas sempre próxima à estabilidade. Este movimento é um reflexo da tensão política que envolve a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, mesmo com o alívio fiscal gerado pelo possível para os precatórios.
Na visão do gestor de câmbio da Terra Investimentos, Vanei Nagem, “mesmo com a bolsa em alta, o dólar não dá refresco. O dólar está se acomodando em um patamar preocupante, o preço dele está muito alto”. O gestor acredita que a moeda norte-americana tenha se descolado da bolsa.
A participação de Bolsonaro na assembleia da ONU contribui para este escopo: “A participação dele foi muito mal vista. Isso afasta o investidor estrangeiro que vai, no mínimo, pensar duas vezes antes de investir no Brasil”, analisa Nagem.
De acordo com o head de análise macroeconômica da GreenBay, Flávio Serrano, “o discurso do (presidente do Federal Reserve – Fed, o banco central norte-americano), Jerome Powell foi mais hawkish (mais propenso à remoção de estímulos) do que o comunicado em si. O Powell deixou o tapering (remoção de estímulos) em aberto, mas ele deve começar ainda em 2021”.
Serrano acredita que, nesta quinta-feira, os principais fatores que impactam no câmbio são internos: “Talvez haja uma revisão nos aspectos político e fiscal caso a PEC dos precatórios seja aprovada”, pontua. Ele também entende que, de acordo com os fundamentos, o dólar estaria na casa dos R$ 4,70, mas os entraves domésticos não permitem que isso aconteça.
De acordo com o economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Rosa, “o dólar está caindo por um ambiente de menor aversão ao risco, como as notícias sobre a Evergrande”.
Rosa acredita que o Fed “foi hawkish, mas nem tanto”. O economista acredita que a instituição está propensa a adiar o início do tapering caso a economia dos Estados Unidos não se mostre pronta.
Por Agência Safras