Dólar encerra a semana com valorização de 1,93%

O dólar comercial fechou em alta de 0,17% no mercado à vista, cotado a R$ 5,6630 para venda, em mais uma sessão de forte volatilidade da moeda com investidores digerindo a notícia de que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, testou positivo para a covid-19, enquanto aqui, ruídos políticos em torno do ministro da Economia, Paulo Guedes, voltaram a fazer preço. Com isso, a moeda fechou a semana com valorização de 1,93%, engatando a quarta alta semanal seguida.

No início da tarde, circulou entre as mesas de operações relatos de que o ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, teria criticado o ministro Paulo Guedes durante uma reunião entre representantes da equipe econômica e investidores. Analistas avaliaram as falas como uma “fritura” de Guedes.

“Marinho teria assegurado a interlocutores que o [programa] Renda Cidadã sairá por bem ou por mal. Além de que o governo federal está tentando fazer da melhor forma possível, tentando manter o teto, mas há pressão para flexibilização, citando renúncias fiscais e a tentativa de chegar a um resultado neutro”, comenta o diretor da Correparti, Ricardo Gomes.

Gomes avalia que o mercado interpretou a fala de Marinho como indícios de que “a CPMF [Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira] ou algo do gênero é uma realidade”.

Por meio de nota, o ministério do Desenvolvimento Regional disse que informações chegaram à imprensa de maneira distorcida. “A reunião teve o intuito de reforçar o compromisso do governo com a austeridade nos gastos e a política fiscal. Não foram feitas desqualificações ou adjetivações de qualquer natureza contra agentes públicos, nem tampouco às propostas já apresentadas”, disse Marinho assinando o comunicado.

“Não acredito que ele tenha falado mal de mim, mas se falou ele é despreparado, desleal e um fura teto”, declarou Guedes há pouco sobre o evento. Em meio às declarações, o contrato futuro para novembro disparou e rondou os R$ 5,70.

Lá fora, o dólar perdeu terreno em meio aos dados do relatório de emprego, payroll, dos Estados Unidos mais fraco em setembro e com a notícia de que Trump está com coronavírus, o que levou investidores a alimentar dúvidas sobre a realização das eleições em 3 de novembro.

“Além de incertezas em torno do pacote de auxílio fiscal de US$ 2,2 trilhões e com o impacto da contaminação de Trump perto das eleições, o que se assistiu foi uma fuga em massa dos ativos de risco para ativos mais seguros”, acrescenta Gomes.

Na semana que vem, o cenário fiscal e político segue no radar dos investidores domésticos, enquanto o mercado global acompanha o estado de saúde do presidente dos Estados Unidos.

Na agenda de indicadores, o destaque fica para os dados de atividade do setor de serviços na Europa, enquanto a China seguirá com os negócios fechados até o fim da semana em razão de um feriado no país. Tem ainda a ata da última reunião do banco central norte-americano, o Federal Reserve (Fed).