Dólar fecha a sexta com queda de 1,12%, com indicação de corte de estímulos nos EUA

O dólar comercial fechou em R$ 5,1970, com queda de 1,12%. Tal movimento foi reflexo da fala do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Jerome Powell, ainda pela manhã, demonstrando preocupação com a inflação e indicando que a retirada de estímulos à economia deve começar ainda em 2021.

O economista da Nova Futura, Nicolas Borsoi, ressalta o pronunciamento do presidente do Fed: “Foi importante o Powell mostrar que ele é favorável ao tapering (remoção de estímulos), porém ele também se mostrou preocupado com o mercado de trabalho e não sinalizou o aumento dos juros em curto prazo”, analisa.

“Foi uma sinalização dovish (com menos propensão ao aumento de juros), o mercado recebeu isso muito bem”, pontua Borsoi, que também destacou que o cenário doméstico contribuiu com a falta de notícias.

De acordo com a analista de investimentos da Toro, Stefany Oliveira, “o desafio do Fed é retomar o pleno emprego e controlar a inflação. Já é possível enxergar alguma recuperação na economia dos Estados Unidos, mas ainda não atingiu os níveis pré-pandemia”. A analista acredita que isso já possa ocorrer na próxima reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês), em setembro.

Embora os problemas domésticos continuem, com a tensão entre os poderes e o temor pela quebra do teto de gastos, nesta sexta as atenções estão voltadas para os Estados Unidos: “O cenário doméstico, hoje, é coadjuvante”, ressalta Oliveira.

Para o analista de riscos da Ajax Capital, Rafael Passos, “hoje o mercado está mais leve, com viés positivo. É pouco provável que o Jerome Powell sinalize algum tipo de mudança brusca nos incentivos à economia, isso seria uma surpresa”.

Passos acredita que a situação doméstica melhorou: “Vimos a temperatura diminuir, principalmente no campo institucional, mas ainda temos muitos desafios”, pontua.

Por Agência Safras