O dólar comercial fechou em alta de 0,33% no mercado à vista, cotado a R$ 5,6450 para venda, em sessão de forte volatilidade, descolado do exterior, com investidores locais em busca de proteção em meio às incertezas que vêm do exterior, com o avanço da covid-19 na Europa e com a falta de sinais de que um novo pacote de estímulo fiscal seja aprovado nos Estados Unidos. Internamente, o cenário fiscal elevou a preocupação e a cautela do mercado. Com isso, a moeda estrangeira fechou a semana com 2,13% de valorização.
O analista de câmbio da Correparti, Ricardo Gomes Filho, ressalta o movimento volátil após abrir em queda seguindo o exterior, mas que firmou alta ao longo da tarde, na contramão do comportamento externo.
“Lá fora, o apetite por risco do investidor estrangeiro se consolidou após dados melhores do que o esperado das vendas no varejo dos Estados Unidos no mês passado. Aqui, os temores fiscais voltaram a assombrar os ativos domésticos e especulações sobre a possibilidade do teto de gastos brasileiro não ser respeitado, colocaram o investidor novamente em estado de cautela”, reforça o analista.
Na semana que vem, o destaque na agenda de indicadores fica para os dados de atividade da Europa e para a prévia da inflação no Brasil. Para a equipe econômica do Bradesco, os resultados devem mostrar o quanto o aumento dos casos de novo coronavírus e a consequente elevação das restrições à mobilidade afetou a atividade econômica nas últimas semanas na região.
Na segunda-feira, 19, o mercado deverá reagir aos números da produção industrial e das vendas no varejo da China, em setembro, além do resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do país asiático no terceiro trimestre. “Se os números vierem acima do esperado, certamente, farão preço nas moedas de países emergentes”, comenta a analista da Toro Investimentos, Paloma Brum.
A fala do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Jerome Powell, em um fórum anual do Fundo Monetário Internacional (FMI) na segunda, também ficará no radar dos investidores.
Por Agência Safras