O dólar comercial fechou em R$ 5,4540, com queda de 1,08%. Mais do que o leilão extraordinário de swap realizado pelo Banco Central (BC) na manhã de hoje, a fala do diretor de política monetária da instituição, Bruno Serra, nesta tarde, garantindo que o banco está vigilante e irá injetar mais liquidez no mercado, impactou diretamente no câmbio.
Para o economista da Guide Investimentos, Alejandro Ortiz, “o dólar estava muito pressionado, mas a fala do Bruno Serra acalmou os mercados, assegurando que a instituição irá prover liquidez ao mercado”.
Os aspectos políticos e fiscais continuam preocupando, mas hoje não se restringe a isso: “O cenário internacional, principalmente a China, continua muito nebuloso, com diversas incertezas”, avalia Ortiz.
Segundo o sócio da Euroinvest, Cristiano Fernandes, “a linha de corte do Banco Central é de R$ 5,50, e acima deste valor ele ataca”. Este ataque é uma menção aos leilões extraordinários de swap, como o realizado nesta manhã, onde a instituição visa injetar liquidez no mercado. “O BC tem enxugado gelo, mas não tem muito o que fazer”, avalia Fernandes.
Já o Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), na avaliação de Fernandes, acendeu um sinal de alerta: “Isso (a queda de 0,15% em agosto ante julho) mostra que a curva do Produto Interno Bruto (PIB) vem se deteriorando, talvez a gente esteja com um PIB superestimado. Isso também reflete no câmbio, com o investidor buscando moedas para se proteger”, analisa.
Fernandes, porém, acredita que os ruídos internos continuam vivos: “O governo tem insistido em pautas onde a conta não fecha”, referindo-se ao auxílio temporário, que teria o caráter de gastos extras para se encaixar no teto de gastos.
De acordo com o economista-chefe da Necton, André Perfeito, “como os mercados estão em alta, assim como o petróleo, também é provável que o real ganhe força”.
Por Agência Safras