Dólar fecha em nova alta em meio às incertezas fiscais e China

O dólar fechou em R$ 5,4850, com alta de 0,71%. Esta nova valorização da moeda norte-americana é o resultado de um dia repleto de incertezas sobre a China e muitas dúvidas sobre a condução da política fiscal no Brasil.

Segundo fonte ouvida pela CMA, “a China preocupa, mas acho difícil estourar uma bomba. O governo não vai deixar ninguém quebrar”. A fonte também diz que a falta de acordo para solucionar o teto da dívida norte-americana é “mais uma briga entre republicanos e democratas do que um problema real”.

“O mercado era para estar melhor, mas o real não consegue se valorizar. Isso mostra os nossos problemas”, diz a fonte referindo-se ao risco do estouro do teto orçamentário e quebra da Regra de Ouro – uma das regras de responsabilidade que proíbe o governo de tomar empréstimos para pagar suas despesas correntes. “Estou muito preocupado, estamos beirando o princípio”, alerta a fonte.

Para o analista da Top Gain, Leonardo Santana, “a China está sendo a pioneira na desaceleração, primeiro com a Evergrande e agora com a Fantasia Holdings, podendo ser um movimento maior”.

Santana sublinha que, além das indefinições quanto ao acordo sobre o teto da dívida nos Estados Unidos, existe grande expectativa para a divulgação do payroll (folha de pagamento) na próxima sexta: “Esta semana é muito decisiva, que pode dar sinais sobre a retirada de estímulos e retomada da economia”, pontua o analista.

“A precificação do câmbio está perto dos R$ 5,50, as apostas são bem negativas. Nosso câmbio sofre com os burburinhos políticos e fiscais. É mais fácil ele continuar subindo do que o contrário”, prevê Santana.

De acordo com boletim matinal da Ajax Capital, “espera-se uma abertura mais positiva da bolsa, com queda do dólar. Contudo o pano de fundo – local e global – ainda é negativo no curto prazo”. O relatório ainda pontua que o ambiente é desafiador neste último trimestre de 2021.

Já nos Estados Unidos, os congressistas ainda não chegaram a um acordo para solucionar o teto da dívida do país. “Ainda assim, o tema deve ser superado até 3 de dezembro. Contudo, os ruídos podem ser continuar a pressionar os ativos de risco externos”, destaca a Ajax.

A desaceleração chinesa também é vista com cautela. A falta de maior transparência sobre a real situação do país asiático é um dos pontos que deixa o mercado em alerta. O ambiente chinês é visto como de “baixa visibilidade”, segundo a Ajax.

Por Agência Safras