Dólar fecha em queda diante de projeção de juros menores nos EUA

O dólar comercial fechou em queda de 0,53% no mercado à vista, cotado a R$ 5,5830 para venda, reagindo à
decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), no qual manteve a taxa de juros na faixa entre zero e 0,25% e indicou que os juros devem seguir baixos até 2023. Além disso, a autoridade
monetária divulgou projeções mais positivas para a economia dos Estados Unidos, sinalizando que a recuperação do país pode ser mais rápida do que a esperada.

Para a economista da Toro Investimentos, Paloma Brum, o bom humor do mercado veio com a melhora da perspectiva que o Fed colocou para a economia norte-americana ao elevar a estimativa do Produto Interno Bruto (PIB) para 2021, de 4,2% para 6,5%, e sinalizar recuperação do mercado de trabalho, com a previsão de queda da taxa de desemprego para 4,5%, ante 5% na projeção anterior.

“O Fed vislumbra uma recuperação econômica mais rápida do que previsto anteriormente”, comenta, acrescentando que a autoridade monetária, além de manter a taxa de juros entre a faixa entre zero e 0,25% e o programa de compra
de ativos, reforçou que não subirá a taxa de juros até 2023.

Brum ressalta que o banco central dos Estados Unidos encurtou o prazo em relação à previsão anterior, que era 2024. “Isso é positivo não só para a economia norte-americana, mas para as moedas emergentes como o Brasil porque com a perspectiva de juros baixos por mais tempo, tira a pressão de que os emergentes devem subir as taxas de juros rapidamente para acompanhar os Estados Unidos”, diz.

A economista da Veedha Investimentos, Camila Abdelmalack, ressalta que na coletiva do presidente do Fed, Jerome Powell, houve o comentário de que a economia tem que estar “em pleno vapor” e a inflação em 12 meses segue em
2%. “Como as incertezas são muito grandes por conta da pandemia, mesmo que os Estados Unidos estejam bem avançados no cronograma de vacinas, eles estão bem cautelosos”, avalia.

Ela pondera que, por mais que a expectativa em relação ao PIB tenha avançado acima de 6%, o Fed quer garantir a tração da atividade econômica. “Para isso, eles estão abrindo mão de ficar se apegando à inflação nos 2% no curto prazo. Isso contribuiu para a devolução do dólar lá fora e aqui, e reduziu a alta das treasuries”, reforça.

O rendimento das taxas de juros futuros dos títulos do governo norte-americano (treasuries) ficou pressionado até a decisão do Fed, com o vencimento de 10 anos chegando à máxima de 1,68% na sessão, no maior valor desde janeiro de 2020 e refletiu em pressão na taxa de câmbio até a divulgação do comunicado.

Daqui a pouco, tem a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) com expectativa de alta da taxa Selic pela primeira vez desde meados de 2015, saindo do piso histórico de 2% para 2,50%, segundo o Termômetro CMA.

O economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Rosa, analisa que, diferentemente do Fed, o comunicado do Banco Central (BC) deve trazer um tom mais “hawkish” (duro), sinalizando que se trata da primeira de uma série de futuras altas da Selic com o objetivo de atenuar os efeitos dos choques de preços correntes sobre as expectativas de inflação de longo prazo.

A economista da Veedha aposta que amanhã, ao menos na abertura dos negócios, o mercado deverá reagir ao comunicado do Banco Central brasileiro. “Tem muita coisa que pode sair no documento e que pode indicar esse processo de alta da Selic. Amanhã, é só BC”, finaliza.

Por Agência Safras