O dólar comercial fechou em queda de 1,07% no mercado à vista, cotado a R$ 5,2550 para venda, no menor valor de fechamento em uma semana, em meio ao ambiente doméstico mais positivo com a entrada de fluxo local, descolado do exterior, onde a moeda norte-americana trabalhou de lado após a divulgação de indicadores dos Estados Unidos, enquanto as divisas de países emergentes trabalharam mistas e a maioria perdeu terreno para o dólar.
O gerente da mesa de câmbio da Correparti, Guilherme Esquelbek, destaca que a moeda estrangeira operou “de lado” no exterior, após a divulgação de dados nos Estados Unidos, como a leitura revisada do Produto Interno Bruto (PIB), que cresceu 6,4% no primeiro trimestre do ano, não havendo alteração em relação à leitura preliminar do indicador. O resultado, porém, ficou abaixo das previsões dos analistas, de +6,6%.
Ele acrescenta que, além de acompanhar a fragilidade do dólar lá fora, um fluxo de entrada de investidores estrangeiros na bolsa brasileira, a B3, e o anúncio da agência de classificação de risco Fitch, que manteve o mesmo nível no rating do país, em BB- com perspectiva negativa, foi “o conjunto” para a divisa acelerar as perdas e cair abaixo de R$ 5,25 na segunda parte dos negócios.
O diretor da Amaril Franklin, Fernando Franklin, reforça que “a falta de notícias negativas” no cenário doméstico contribuiu para a queda do dólar na sessão. “Enquanto lá fora, o mercado trabalhou à espera do resultado de abril do PCE [índice de preços para os gastos pessoais norte-americano]”, comenta.
O indicador é destaque na agenda de indicadores desta sexta e, segundo Franklin, é um dado importante para avaliar e calibrar as expectativas da economia norte-americana. “O resultado pode dar um norte um pouco melhor sobre a inflação nos Estados Unidos e como o Fed [Federal Reserve, o banco central norte-americano] responderá a isso e quais serão os próximos passos que eles vão adotar”, diz. A previsão é de queda de 14,0% para os dados de renda, mas alta de 0,5% para os gastos pessoais.
Aqui, à véspera do fim de semana e do fim do mês, o mercado segue atento ao número de maio do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), divulgado pela FGV, além dos desdobramentos em torno das reformas administrativa e tributária.
Agência Safras