O dólar comercial fechou com ligeira queda de 0,03% no mercado à vista, cotado a R$ 5,1240, após perder força no fim dos negócios e praticamente devolver as perdas da sessão após rumores de que o governo poderia romper o teto de gastos. Ao longo do pregão, amoeda chegou ao menor valor intraday desde junho após o governo de São Paulo anunciar que pretende iniciar a vacinação contra a covid-19 a partir de janeiro.
Em sessão volátil, o dólar chegou ao menor valor desde 15 de junho (quando operou na mínima de R$ 5,0810), descolado do exterior, reagindo ao novo fluxo de entrada de recursos estrangeiros e ao anúncio do governador de São Paulo, João Doria, de que o estado poderá iniciar a vacinação contra o novo coronavírus a partir de 25 de janeiro. Com a notícia, a moeda recuou mais de 1%.
“Um forte fluxo, vindo novamente de recursos de exportadores e de investidores estrangeiros, derrubou a moeda que chegou nos níveis de R$ 5,05. Mas perto do encerramento, o dólar se afastou das mínimas, devolvendo todo o ganho do dia”, comenta o gerente da mesa de câmbio da Correparti, Guilherme Esquelbek.
Na reta final dos negócios, notícia de que a despesa financeira com receita desvinculada ficou fora do teto de gastos do governo por um ano fez com que investidores devolvessem praticamente todo o ganho da sessão. Porém, o Ministério da Economia desmentiu o “rumor” de que poderia propor uma flexibilização do teto de gastos, alegando ser contra qualquer proposta que trate da flexibilização do teto, mesmo que temporária.
Nesta terça, 8, com a agenda de indicadores esvaziada, tendo como destaque a inflação do país em novembro, o economista da Guide Investimentos, Alejandro Ortiz, diz que a moeda pode “continuar caindo”. Porém, mesmo com o “derretimento” da cotação nas últimas sessões, o cenário fiscal ainda é o pano de fundo para uma nova deterioração da moeda.
“Na minha opinião, [a queda recente] é uma questão pontual, com o fluxo de capital destravado pelas eleições nos Estados Unidos e que está indo para os países emergentes, incluindo o Brasil. Só que esse fluxo não é infinito. Uma hora ele tende a arrefecer. Até não termos uma sinalização positiva do[cenário] fiscal, essa valorização do real não vejo como uma coisa consistente”, avalia.
Por Agência Safras