Dólar recua digerindo alta da Selic

O dólar comercial fechou em queda de 0,34% no mercado à vista, cotado a R$ 5,5670 para venda, em sessão volátil
e de forte amplitude com investidores digerindo a decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), no qual refletiu em avanço do rendimento das taxas futuras de juros dos títulos do
governo norte-americano, com o vencimento de 10 acima de 1,70% em toda a sessão. Aqui, investidores reagiram à decisão do Banco Central (BC) de subir a taxa Selic em 0,75 ponto percentual (pp), indo a 2,75%, acima do esperado.

A moeda norte-americana ganhou força no exterior apoiada no avanço das treasuries, o que limitou uma queda mais intensa ante o real, contrariando apostas de que a taxa de câmbio poderia permanecer abaixo de R$ 5,50. “Após
registrar desvalorização próxima de 2% na primeira hora de negócios, o dólar aqui perdeu força impulsionado pela demanda de importadores”, comenta o diretor da Correparti, Ricardo Gomes.

Ele acrescenta que, apesar disso, o dólar operou descolado do exterior reagindo ao “choque” na taxa Selic e à mudança de postura do BC na condução da política monetária ao sair de um tom “dovish” (suave), no qual
manteve a taxa no menor piso histórico, a 2%, desde meados do ano passado, para “hawkish” (duro).

“Teve como pano de fundo o recrudescimento da inflação, alimentada, basicamente, pela alta dos preços dos alimentos e dos combustíveis”, diz Gomes. No comunicado, a autoridade monetária indicou que deverá promover uma nova alta de 0,75 pp na próxima reunião do Copom, em maio. “O tom [do documento] sugere que a autoridade pode ter em mente um ajuste forte, embora curto, da Selic. O sucesso dessa estratégia dependerá dos dados”, reforça a equipe econômica do Itaú.

O chefe da mesa de câmbio da Terra Investimentos, Vanei Nagem, destaca que o investidor estrangeiro “não veio de imediato” para o mercado local já que o “risco país está muito alto e a pandemia de Covid-19 está descontrolada” no país. “Isso acaba não atraindo o gringo. Com isso, esse bom humor é local e pontual. Amanhã ou segunda-feira, a gente pode ver um câmbio mais pressionado de novo”, avalia.

Nesta sexta, em meio à agenda de indicadores esvaziada, analistas apostam que o dólar ainda deverá reagir às decisões dos bancos centrais e com investidores locais atentos ao cenário fiscal e ao avanço da pandemia no
país.

Por Agência Safras